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Papa conclama união das igrejas
Papa conclama união das igrejas
O Papa Bento XVI disse (no dia 6) que “o mundo precisa, mais que nunca”, da unidade entre as Igrejas cristãs. O Pontífice fez essas declarações ao receber os membros da Comissão Internacional de Diálogo do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e da Aliança Mundial Batista. “O mundo necessita hoje, mais que nunca, de nosso testemunho comum de Cristo e da esperança trazida pelo Evangelho. A obediência à vontade do Senhor nos estimula constantemente a alcançar a unidade”, explicou.
Segundo o Papa, as divisões entre os cristãos “contradizem clara e abertamente a vontade de Cristo e são um escândalo para o mundo, além de prejudicarem a causa santíssima de pregar o Evangelho a toda criatura”.
O Papa defendeu analisar algumas questões erroneamente interpretadas no passado, tais como “a relação entre a Escritura e a tradição, a compreensão do Batismo e dos sacramentos, o lugar de Maria na comunhão da Igreja, e a natureza do primaz na estrutura ministerial da Igreja”.
“Para conseguir nossa esperança na reconciliação e uma maior fraternidade entre batistas e católicos, é preciso que enfrentemos juntos temas como estes, em um espírito de abertura, respeito recíproco e fidelidade (…) a Jesus Cristo”, disse.
Em outra audiência, o Papa recebeu 280 membros do Pontifício Instituto Oriental, fundado em 1917 por Bento XV, “para garantir a paz dentro da Igreja”.
O Papa explicou que Bento XV, ao qual diz se sentir “ligado de forma particular”, favoreceu assim as Igrejas Orientais católicas, que gozam “de um regime mais adequado a suas tradições”.
http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI2130511-EI294,00.html
Nota: Há um século, Ellen White escreveu: “A vasta diversidade de crenças nas igrejas protestantes é por muitos considerada como prova decisiva de que jamais se poderá fazer esforço algum para se conseguir uma uniformidade obrigatória. Há anos, porém, que nas igrejas protestantes se vem manifestando poderoso e crescente sentimento em favor de uma união baseada em pontos comuns de doutrinas. Para conseguir tal união, deve-se necessariamente evitar toda discussão de assuntos em que não estejam todos de acordo, independentemente de sua importância do ponto de vista bíblico.
“Carlos Beecher, em sermão pronunciado em 1846, declarou que o ministério das denominações evangélicas protestantes “não somente é formado sob terrível pressão do mero temor humano, mas também vive, move-se e respira num meio totalmente corrupto, e que cada instante apela para todo o elemento mais vil de sua natureza, a fim de ocultar a verdade e curvar os joelhos ao poder da apostasia. Não foi desta maneira que as coisas se passaram com Roma? Não estamos nós desandando pelo mesmo caminho? E que vemos precisamente diante de nós? Outro concílio geral! Uma convenção mundial! Aliança evangélica, e credo universal!” (Sermão sobre: A Bíblia Como um Credo Suficiente, pronunciado em Fort Wayne, Indiana, a 22 de fevereiro de 1846). Quando, pois, se conseguir isto nos esforços para se obter completa uniformidade, apenas um passo haverá para que se recorra à força.
“Quando as principais igrejas dos Estados Unidos, ligando-se em pontos de doutrinas que lhes são comuns, influenciarem o Estado para que imponha seus decretos e lhes apóie as instituições, a América do Norte protestante terá então formado uma imagem da hierarquia romana, e a aplicação de penas civis aos dissidentes será o resultado inevitável” (O Grande Conflito, p 444, 445).
Quem viver verá (e já está vendo…).
http://michelsonborges.blogspot.com/2007/12/papa-conclama-unio-das-igrejas.html
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História da águia
História da águia
A águia é a ave que possui maior longevidade da espécie. Chega a viver setenta anos.
Mas para chegar a essa idade, aos quarenta anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão. Aos quarenta ela está com as unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar suas presas das quais se alimenta.
O bico alongado e pontiagudo se curva. Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar já é tão difícil! Então a águia só tem duas alternativas: Morrer, ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar cento e cinqüenta dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar.
Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma parede até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar suas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. E só cinco meses depois sai o formoso vôo de renovação e para viver então mais trinta anos.
Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação.
Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes, velhos hábitos que nos causam dor. Somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que a renovação sempre nos traz.
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História da águia
História da águia
A águia é a ave que possui maior longevidade da espécie. Chega a viver setenta anos.
Mas para chegar a essa idade, aos quarenta anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão. Aos quarenta ela está com as unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar suas presas das quais se alimenta.
O bico alongado e pontiagudo se curva. Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar já é tão difícil! Então a águia só tem duas alternativas: Morrer, ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar cento e cinqüenta dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar.
Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma parede até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar suas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. E só cinco meses depois sai o formoso vôo de renovação e para viver então mais trinta anos.
Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação.
Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes, velhos hábitos que nos causam dor. Somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que a renovação sempre nos traz.
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É preciso conhecer sua vocação
É preciso conhecer sua vocação
Benedito Denis Frota Gomes
Publicado em 22.08.2007
Este artigo é continuação do artigo publicado anteriormente: “A trajetória de ministérios bem-sucedidos”.
Por que é necessário conhecermos nossa vocação? Porque só há crescimento ministerial quando servimos de acordo com o chamado de Deus. Ele aponta para o tipo de missão sobre a qual temos autoridade de conquistar. Quando conhecemos nossa vocação e atendemos a esse chamado, ficamos no centro da vontade de Deus, somos acobertados pelo seu poder e direção, prosperamos no ministério e o nosso interior é repleto de paz e satisfação.
Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis
Conhecer e corresponder à vocação ministerial é o primeiro grande passo na trajetória do triunfo, mas aquele que segue seu chamado sabe que entre caminho e destino há um espaço onde a história e os fatos acontecem. É neste intervalo que precisa haver crescimento e avanço.
Muitos servos de Deus, fiéis e potencialmente capazes, não desfrutam de um crescimento pleno e de um ministério bem-sucedido por que:
1) Não conhecem suas vocações;
2) Não edificam seus ministérios sobre suas vocações;
3) Não sabem para onde ir – não têm o alvo específico de suas vocações;
4) Não sabem como alcançar o alvo – não têm um plano de ação eficiente ou trabalham com metas inadequadas.
O ministério eficiente e próspero precisa ter:
1- Visão certa do destino, do propósito vocacional – O que pretendo alcançar? Qual é o alvo de Deus para a minha vida? Definida esta parte, o servo necessita de um plano de ação para executar todas as etapas ministeriais até alcançar o propósito de seu chamado. O primeiro passo é saber o propósito da vocação, o destino aonde se quer chegar.
2- Plano de ação - Como alcançar o propósito de Deus para a minha vida? Um plano de ação é um mapa de serviço. O segundo passo é definido como o Planejamento do Percurso (Mapeamento do caminho), a trajetória da saída à chegada, do começo ao fim do ministério. Saber por onde começar, dar continuidade e desenvolvimento até frutificar abundantemente no propósito do chamado de Deus. Cada passo em direção ao alvo é denominado meta. As metas são estações obrigatórias até se chegar ao destino. Sem as metas certas, giramos e não avançamos, gastamos todos os recursos, ficamos exaustos e não chegamos ao destino.
O ministério bem-sucedido implica numa percepção correta da vocação e num atendimento eficaz a esse chamado, desenvolvendo um projeto de ação capaz de disponibilizar esforços e recursos adequados para suprir todos os passos no cumprimento da missão.
Dois tipos de conhecimentos são necessários para a criação de um mapa ministerial, que possibilite o servo de Deus avançar e conquistar o propósito de sua vocação:
1) Conhecer os desafios do campo;
2) Conhecer seus recursos ministeriais.
Não invente cenários baseados apenas em desejos, encare a realidade. Identifique os recursos e os desafios do ministério (Lc 14:28 – Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se senta primeiro a calcular as despesas, para ver se tem com que a acabar?).
Chamamos de dinâmica de campo a correta identificação dos desafios e das possibilidades ministeriais. Conhecer a dinâmica do campo possibilita um maior desempenho de avança e frutificação. A conquista deste conhecimento é mais um dom do que uma arte; é mais uma arte do que uma técnica. Como dom do Espírito, deve ser rogado incessantemente ao Pai Celeste; como arte é preciso que a maturação do discernimento e da sabedoria venha pela experiência de vida; como técnica pode e deve ser aprendida à luz das Escrituras e sob os conselhos dos mais sábios.
Somos sabedores de que nosso mundo, nas últimas décadas, sofre de grandes e constantes modificações nos mais diversos segmentos da vida. Um ministério bem-sucedido necessita estar preparado para perceber quantas e quais dessas mudanças têm implicações diretas sobre desafios e oportunidades ministeriais. Com discernimento deve compreendê-las e promover as respostas certas para alcançar bom êxito no cumprimento do chamado vocacional.
Temos novos desafios que exigem novas respostas e novas respostas exigem novos preparos. Para haver um ministério vitorioso, urge que o servo de Deus consiga romper suas antigas marcas. Uma nova realidade exige uma nova estratégia; para um novo desafio, uma nova marca. É nosso dever, aprender com o passado, viver o presente com discernimento e planejar o futuro com fé e sabedoria.
Nem se deita vinho novo em odres velhos; do contrário se rebentam, derrama-se o vinho, e os odres se perdem; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam. Mateus 9.17
Cooperação Mútua
O ministério vitorioso tem que atender os desafios e às necessidades de cada etapa da trajetória ministerial, até alcançar o triunfo pleno.
É evidente que nenhum servo de Deus, sozinho, seja capaz de discernir todos os desafios de seu ministério e consiga apresentar todas as respostas certas para as diferentes situações. Por maior que seja o seu preparo, as dificuldades estarão muito acima de seu nível de competência. Mas, Deus, na sua infinita sabedoria e graça, providenciou a mútua cooperação ministerial para que todos sejam edificados e os resultados frutifiquem abundantemente.
“E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do Corpo de Cristo.” Ef 4:11.
Como recurso de mútua cooperação, o SENHOR entregou à igreja homens com dons especiais, capazes de realizar o aperfeiçoamento de todos os santos, a fim de que sejam dinâmicos e produtivos em seus respectivos ministérios.
Ninguém é vocacionado para ficar isolado na Igreja. Somos todos chamados para trabalhar num corpo. Quando estamos unidos num só coração e propósito, o Espírito Santo se move com grande poder em nosso benefício. Somos supridos, fortalecidos e passamos a prosperar naquilo que fomos chamados.
O segundo requisito valioso para a criação de um projeto de ação ministerial é ter o conhecimento do potencial e da experiência disponíveis, face aos desafios propostos.
- O servo iniciante traz dentro de si uma energia em potencial latente, impregnada de sonhos, idéias, motivações, propostas, forças intelectuais e interpessoais que podem agregar ao ministério um grande impulso em direção ao alvo.
- O servo mais experiente tem dentro de si um potencial em movimento, utilizado em suas realizações e conquistas. É aquele que conhece o caminho das pedras, discerne com sabedoria e maturidade, aponta a direção certa, etc.
Precisamos de potencial e de experiência para desenvolver um ministério bem-sucedido, numa harmoniosa integração dessas forças, de modo que o iniciante não somente contribua com seu potencial, mas, adquira mais experiência à medida que avança na trajetória ministerial e o servo mais experiente, não apenas sinalize os comandos, mas que seja renovado, agregando novos recursos e valores ao seu potencial desgastado pelo tempo.
Que tipo de força ministerial existe em você? O que pesa mais neste exato momento: seu potencial ou sua experiência?
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Guerra espiritual
Guerra espiritual
Pr. José Antônio Corrêa
Salmos – 18 – 28 : 33
INTRODUÇÃO:
1. Estamos em guerra! No trecho do Salmo lido, o contexto, é de guerra. Nele Davi se refere à ajuda recebida de Deus nas guerras contra as nações pagãs em sua volta.
2. Vejamos: “ALGUMAS COISAS QUE RECEBEMOS DE DEUS EM NOSSA LUTA CONSTANTE CONTRA O INIMIGO”:
I – RECEBEMOS LUZ
VS. 18.
1 “Porque fazes resplandecer a minha lâmpada, oh Senhor meu Deus, derrama luz nas trevas”, Vs. 1. A lâmpada acesa numa casa fala de prosperidade, de visibilidade. Fala também da presença de vida e felicidade doméstica, I Rs 11.36, “E a seu filho, darei uma tribo, para Davi, meu servo, tenha sempre uma lâmpada diante de mim em Jerusalém…”.
2. Por outro lado, a extinção da família real, seria como apagar uma lâmpada, II Sm 21.17, “…Nunca mais sairemos à peleja, para que não se apague a lâmpada de Israel”. Temos nesta passagem um juramento dos homens de Davi.
3. Permanecer com a lâmpada acesa, é ter vida preservada! Por esta razão, Jesus diz que como discípulos dEle, somos luz: “Vós sois a luz do mundo”, Mt 5.14.
II – RECEBEMOS ENERGIA
VS. 29.
1. “Pois contigo desbarato exércitos, com meu Deus, salto muralhas”, Vs. 29. Estas palavras descrevem o ímpeto irresistível pelo qual, Davi irrompia nas linhas dos inimigos e suas fortalezas. Um exemplo disto está em I Sm 30.17, “Feriu-os Davi, e nenhum deles escapou, senão só 400 moços que, montados em camelos fugiram”. Temos aqui a descrição de uma guerra contra os Amalequitas, onde Ziclaque, foi invadida e destruída.
2. Nossa luta deve ser desta maneira. No Poder recebido de Deus, podemos desbaratar, destroçar os exércitos inimigos, saltar muralhas, 1 Co 10.4, “Porque as armas da nossa luta, não são carnais, mas sim, poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando sofismas, e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo”.
III – RECEBEMOS CONFIANÇA
VS. 30.
1. “O caminho do Senhor é perfeito”, Vs. 30. O que Deus faz, é feito com perfeição, sua Palavra é provada, como que testada no forno, revelando sua pureza. Isto nos leva a crer que as promessas de Deus são infalíveis, e por esta razão traz confiança naqueles que nelas crêem.
2. Vs. 31, “Porque quem é Deus, senão o Senhor?”. havendo um só Deus, Criador, podemos confiar nEle em todas a s circunstâncias: “Quem é rochedo, senão nosso Deus?”. Só nEle se acha estabilidade eterna; Só nEle há perfeita força e resistência.
3. Sl 40.4, “Bem aventurado o homem que pões no Senhor a sua confiança”.
IV – RECEBEMOS PERSEVERANÇA
VS. 32.
1. “O Senhor me revestiu de força e aperfeiçoou o meu caminho, Vs. 32. A idéia envolvida neste “revestimento”, era um tipo de cinta usada pelas pessoas que viajavam no deserto, dando apoio e descanso para o corpo, que poderia sofrer grandes torções ao passar horas sentado nas costas do camelo.
2. Maior reforço, é o apoio que a alma do crente recebe mediante a oração, nos concedendo forças para transpormos os obstáculos em nosso caminho. Há obstáculos que para serem removidos, precisam de muita perseverança em oração, por parte do filho de Deus, Rm 12.12, “Sede pacientes na tribulação, na oração perseverantes”.
V – RECEBEMOS AGILIDADE
VS. 33.
1. “Ele deu a meus pés a ligeireza das corças”. As corças, eram animais rápidos, ágeis. Os israelitas precisavam de esperteza no correr. A agilidade e a perseverança, eram qualidade mais importantes na guerra, especialmente para a perseguição dos inimigos derrotados, pois a verdadeira guerra começava quando um dos inimigos se intimidava e começava a fugir.
2. A agilidade tem a ver também, com um raciocínio rápido, que muitas vezes, era decisivo numa batalha.
3. A nossa agilidade deveria vir do Senhor, e não de nossas forças físicas.
CONCLUSÃO:
1. Devemos nos conscientizar que estamos de fato numa guerra tremenda, Ef 6.12.
2. Precisamos receber de Deus a preparação necessária para não sermos derrotados e envergonhados pelo inimigo. Dependemos de Deus para recebermos:
a. Luz,
b. Energia,
c. Confiança,
d. Perseverança,
e. Agilidade.
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Vasos quebrados, porém restaurados pelo Senhor
Vasos quebrados, porém restaurados pelo Senhor
Salmos – 31 – 12 : 12
“Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro?”
Todas as coisas, quer criadas por Deus ou inventadas pelo homem, necessitam ser restauradas. No primeiro caso, refiro-me à criação, natureza e o homem (At 3.21, Rm 8.21, 22). Todas as pessoas, de todas as épocas e culturas, clamam por restauração. Todas as instituições, todas as leis e sistemas, de tempo em tempo, passam por uma atualização ou reciclagem, que é o mesmo que ser restauradas. Só sofre restauração aquilo que o tempo deteriorou. Porque deterioramos, necessitamos ser restaurados.
No livro do Profeta Jeremias, capítulo 18, versículos 1-6, encontramos o profeta, em obediência à Deus, fator decisivo na restauração do homem, se dirigindo à casa do oleiro onde ouviria a mensagem dEle. O oleiro é o artesão que produz peças torneadas sobre a roda, espécie de torno movido pelos pés e mãos. O trabalho do oleiro consistia em dar forma a uma porção de barro com as mãos, que precisava estar limpo e moldável. Ao chegar naquele local de trabalho o profeta passa a observar o oleiro trabalhando com a roda. No processo de acabamento de um vaso, este se quebra em suas mãos, o que o leva a refazê-lo, moldando outro vaso de acordo com a sua vontade. Foi neste cenário que o profeta ouviu a voz de Deus que disse: “Ó comunidade de Israel, não posso agir com vocês como fez o oleiro?”, pergunta o Senhor. “Como barro nas mãos do oleiro, assim são vocês nas minhas mãos, ó comunidade de Israel”. Vejamos algumas lições que este quadro tem a nos ensinar:
1. DEUS NÃO CESSOU A SUA OBRA EM NÓS. “..e o vi trabalhando… o vaso de barro que ele estava formando…”(vs 3 e 4). Estamos em construção. Deus está realizando um grande projeto em nós. Ele está trabalhando em nossas vidas. Deus ainda está fazendo a sua obra na igreja, em sua vida e em seus relacionamentos. Você é propriedade dEle. Aleluia! No texto, o barro é Israel, tirado do Egito. Hoje somos nós, tirados do mundo para sermos moldados. Fomos formados do barro (Gn 2:7 ) e voltaremos ao barro (Gn 3: 19). É preciso se quebrar e continuar maleável nas mãos de Deus para que Ele continue a sua obra em nós. Deus sempre olha suas possibilidades futuras, e não meramente suas presentes qualificações. Deus nunca perdeu a esperança no lidar com os homens. Deus sempre espera qualquer coisa dos piores e dos mais fracos. Ele espera boas coisas de você.
2. CIRCUNSTÂNCIAS PODEM CONSPIRAR CONTRA A OBRA DE DEUS EM NÓS
(Como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro.. – Jr 18.4 – “Estou esquecido no coração deles, como um morto; sou como um vaso quebrado” – Sl 31,12).
O texto não informa o que causou a quebra do vaso, simplesmente diz que ele se quebrou nas mãos do oleiro, não se sabe como, mas quebrou-se. Quebrou-se nas mãos daquele que sabe refazer o que está quebrado. Precisamos nos quebrar nas mãos de Deus. Precisamos nos humilhar e ser moldados novamente por Ele.
Quais vasos se quebraram em sua vida? Quais necessitam ser restaurados? (a) vaso do primeiro amor? Você perdeu o gosto pela Bíblia, pela oração e comunhão com Deus, com a igreja e os irmãos? (b) vaso da pureza? Vocês se soltou? Fez concessões à carne, ao mundo e ao diabo? (c) vaso da dependência? Você se envaideceu? Tornou-se autônomo, independente, auto-suficiente? Perdeu a força da esperança cristã, a capacidade de crer? (Ultimato) (d) vaso do compromisso? Você quebrou os votos, as alianças e os pactos que fez com o seu cônjuge, pais, sócios ou filhos? Você rompeu com todos os seus compromissos? Não é hora para culpar ninguém, somos responsáveis pelas mazelas em nossa própria vida, mas ainda não é o fim, sabe por que? Porque:
3– DEUS TEM INTERESSE EM RESTAURAR SUA OBRA EM NÓS. “e Ele o refez, moldando outro vaso de acordo com a sua vontade”. (vs 4). Deus é poderoso para nos restaurar. Ele tem profundo interesse em nos reaproveitar, refazer-nos novamente, restaurar-nos. Ele é quem restaura nossa relação com Ele. Ele é quem restaura nossa relação com o próximo. Deus não faz emendas, ele faz novas todas as coisas. Ele é quem restaura a nossa sorte (Sl. 14.7, 53.6), nossos sonhos, nossos bens, nossa saúde, nossas coisas. Ele é quem restaura a nossa alma (Sl. 19.7).
Continue barro. Continue nas mãos de Deus. Continue moldável e permita que o Senhor te restaure e faça de você um restaurador de vidas (Is. 58.12b).
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Começar de novo
Começar de novo
Lisânias Moura
Neemias – 1 – 1 : 4
INTRODUÇÃO
Quantos de nós nos sentimos desapontados ou mesmo com raiva com aquela jogada do Lúcio que deu origem ao gol da Inglaterra no jogo de sexta passada ? Como você acha que o Lúcio pode ter se sentido ? VOCÊS LEMBRAM DO COMENTÁRIO O FALCÃO APÓS O JOGO ? “O Lúcio deu a volta por cima e jogou sua melhor partida na copa”. Estou certo de que muitos aqui gostariam de dar a volta por cima em alguma área de suas vidas nesta manhã… Vocês já foram vítimas de alguma enchente ? Uma experiência pessoal no Recife … “Ah se nós pudéssemos ter impedido..” O que faremos agora que todos os móveis se foram com a água ? E o cachorrinho recém nascido que morreu afogado ? Ah ! Quanto nos custará para repor todos os móveis da casa ? QUANTO VAI NOS CUSTAR PARA COMEÇAR TUDO DE NOVO …? Seja por causa de uma enchente … Seja por causa de uma doença … Seja por causa de uma jogada errada em uma partida de futebol que pode mudar totalmente a história de uma copa… Seja por causa de um teto que desabou e a casa precisa ser reformada TODOS NÓS NOS SENTIMOS MUITAS VEZES COM VONTADE DE RECOMEÇAR TODOS NÓS NOS SENTIMOS MUITAS VEZES COM VONTADE DE COMEÇAR DE NOVO … A história de Mezameta Mezameta e seu esposo eram filhos de imigrantes que vieram para o Brasil no inicio do século 20 Estavam casados há 12 anos E tiveram seis filhas O esposo adoece com um problema nos rins que o levou à morte Ele e a esposa conhecem a Cristo seis meses antes da morte dele Depois de sua morte a família dele coloca Mezameta em uma encruzilhada Ou ela abandonam o evangelho e ficam com a cultura Japonesa e o Budismo e os recursos financeiros que o marido deixara ou perdem tudo que tem (sociedade num hotel em Andradina, terras, etc.) Mezameta escolhe ficar com Cristo, mas agora Agora estava ela com 34 anos de idade, viúva e seis filhas. A mais velha com 11 anos e a mais nova com apenas 8 meses Sem nenhum recurso financeiro MEZAMETA AGORA PERGUNTA PARA DEUS… Como começar de novo ? Como começar uma nova vida com 6 filhas, a mais velha com apenas 11 anos Com apenas 10 anos a filha mais velha, Haruko, começar a trabalhar. A segunda filha com 9 anos, a Hiroko, começa trabalha em uma pequena mercearia na nova cidade onde passaram a morar para COMEÇAR DE NOVO … NA VIDA DE MEZAMETA POR UM LONGO PERÍODO … NA VIDA DE LÚCIO POR ALGUNS MINUTOS DURANTE O JOGO COM A INGLATERRA … TUDO PARECIA TER DESABADO … TUDO PARECIA QUE HAVIA CHEGADO AO FIM … E assim, eles poderiam estar perguntando COMO RECOMEÇAR QUANDO TUDO FOI PERDIDO …? COMO RECOMEÇAR QUANDO TUDO PARECE PERDIDO ? Nós vamos lidar com esta pergunta nesta manhã. Abra comigo no livro de Neemias … TRANSIÇÃO O pano de fundo do livro de Neemias Por causa de desobediência a Deus o povo de Israel foi levado cativo para a Babilônia Deus havia dito que o povo ficaria cativo por 70 anos. O período estava chegando ao fim e Deus vai levantar três homens para trazer seu povo de volta para Jerusalém (Esdras, Zorobabel como líderes do movimento de volta e Neemias reconstruiria os muros da cidade) Um certo dia Neemias recebe a visita de um homem chamado Hananias que trás para ele notícias Jerusalém. Neemias pergunta pelo povo e pela cidade HANANIAS RESPONDE … “Os que não foram levados cativos estão em grande miséria e desprezo” “Os muros de Jerusalém estão derrubados e as suas portas queimadas” A resposta de Hananias vai gerar uma grande reviravolta na vida de Neemias Jerusalém era um símbolo de vida para todo Judeu A cidade era o centro da vida do povo porque nela estava o templo e sem o templo o povo não podia relacionar-se com Deus OS MUROS E OS PORTÕES TINHAM UM SIGNIFICADO PROFUNDO PARA A VIDA DA CIDADE Os muros eram os protetores da cidade – SINAL DE SEGURANÇA E DEFESA – Era a proteção para tudo aquilo que de precioso a cidade possuía – Pessoas e bens, riquezas e identidade como povo Os portões eram a referencia de riqueza da cidade. Era o SINAL DE RIQUEZA DA CIDADE. Os grandes negócios eram acertados nos portões da cidade sob as vistas dos anciãos. Era o local simbólico de valores da cidade, como família, relacionamentos, etc. ISTO LEMBRA O ATAQUE DE 11 DE SETEMBRO NOS EUA (Pentágono: OS MUROS, SEGURANÇA. WTC: Os portões, comércio, riquezas) TUDO ISTO HAVIA SIDO DESTRUÍDO ! Neemias foi também confrontado com uma pergunta COMO RECONSTRUIR ESTA CIDADE E SEUS VALORES ? COMO COMEÇAR DE NOVO … ? Será que a preocupação de Neemias não é também muitas vezes nossa preocupação ? Talvez não estejamos perguntando como vamos começar de novo a construção de uma casa … MAS, MUITOS DE NÓS QUE ESTÃO AQUI NESTA MANHÃ ESTÃO TRABALHANDO DURO NA RECONSTRUÇÃO … De um relacionamento matrimonial desgastado … De um relacionamento com um filho rebelde De um relacionamento com um pai ou mãe que se tornaram distantes Da confiança perdida no cônjuge … Da confiança perdida no filho Da confiança perdida no pai ou na mãe Da própria carreira ou firma após uma falência Na reconstrução da esperança que foi embora por causa de uma perda MUITOS DE NÓS MUITAS VEZES PERGUNTAMOS … COMO POSSO COMEÇAR DE NOVO ? Na realidade todos nós um dia, talvez, precisaremos reconstruir NOSSOS MUROS (PROTEÇÃO) Na realidade todos nós um dia, talvez precisaremos reconstruir NOSSOS PORTÕES (RECURSOS, PROFISSÃO, FAMÍLIA ,ETC) TODOS NÓS DE UMA CERTA FORMA JÁ EXPERIMENTAMOS OU EXPERIMENTAREMOS O QUE VEM A SER UM NEEMIAS Como, então, COMEÇAR DE NOVO … ? (OS MUROS NO CASO DE NEEMIAS) Em nossa vida ou sua vida pode ser …. (você completa) Meu desejo nesta manhã é que todos nós possamos sair daqui com nossa esperança renovada em um Deus que nos capacita COMEÇAR DE NOVO Como então, COMEÇAR DE NOVO ? Para começar de novo … I – ENCARE A REALIDADE – Neemias 1:1-4 , 2:13 13 Assim saí de noite pela porta do vale, até a fonte do [dragão], e até a porta do monturo, e contemplei os muros de Jerusalém, que estavam demolidos, e as suas portas, que tinham sido consumidas pelo fogo. A . NEEMIAS ENCAROU A REALIDADE – FOI ATRÁS DELA Sem encarar a realidade não temos como recomeçar de novo Sem encarar a realidade adiamos o momento de começar de novo Ao encararmos a realidade podemos perceber o quanto precisamos trabalhar e de quem depender para um novo começo B. NEEMIAS PODE ENCARAR A REALIDADE DE UMA FORMA SADIA PORQUE ELE TEVE UMA REAÇÃO POSITIVA – Como isto foi possível 1. Dando lugar ao luto No luto trazemos nossa dor perante o Senhor No luto trazemos nossas feridas perante Deus SEM DARMOS TEMPO AO LUTO NÃO TEMOS C0MO AVANÇAR NO PROCESSO DE RECONSTRUÇÃO DE NOSSAS VIDAS 2. Dando lugar ao Jejum No jejum nós focamos nosso coração em Deus O jejum não é um meio de resposta O jejum nos torna sensíveis à resposta de Deus Jejum não tem a ver com o que não comemos mas com o nosso foco A atitude atrás do jejum é a humildade – dependência de Deus O jejum é uma mudança de atitude que nos apronta para uma mudança de coração. 3. Dando lugar à oração Na oração nos buscamos a ajuda de Deus Ao orarmos levamos nossa ansiedade perante Deus e ficamos curados porque falamos com aquele que tem o poder para fazer mudanças e nos dar um novo começo Ao orarmos reconhecemos nossa incapacidade para deixarmos o todo poderoso agir em nosso lugar Foi orando que Neemias se aprontou para o próximo passo É na oração que ouvimos que a direção que Deus nos dá para podemos COMEÇAR DE NOVO Para começar de novo … II – ESTABELEÇA SUA ESTRATÉGIA – Neemias 2:4 Quando estamos tentando COMEÇAR DE NOVO … nós temos dois níveis de ação, Precisamos Perceber o que nós (você) podemos fazer Perceber O que Deus pode fazer AQUI ESTÁ O SEGREDO DA NOSSA ESTRATÉGIA … A . ESTABELECENDO O QUE VOCÊ PODE FAZER Neemias estava com medo – 2:2 ..ELE ERA UMA PESSOA NORMAL mas, Neemias podia orar Neemias podia falar com o Rei Neemias podia fazer planos e ter uma estratégia para voltar a Jerusalém e reconstruir os muros e as portas Neemias não podia mudar o coração do rei (somente Deus podia) Neemias resolveu ser integro neste processo de COMEÇAR DE NOVO (5:14-16) ILUSTRAÇÃO – Advogado diante do terapeuta (novela o Clone) Vou procurar minha família .. Quando Amanhã Por que não hoje ? … (isto ele podia fazer) APLICAÇÃO – O que você pode fazer para começar de novo … Mandar currículos Cortar gastos Reciclar-se Pedir perdão de um cônjuge VOCÊ NÃO PODE GARANTIR OS RESULTADOS DISTO B. ENTREGANDO A DEUS O QUE SOMENTE DEUS PODE FAZER Neemias não podia conseguir os recursos – DEUS PODIA Neemias não tinha como não ser capturado no caminho – DEUS PODIA PROTEGÊ-LO Neemias teve esta ousadia porque ele já havia ENCARADO A REALIDADE com lamento, jejum e oração APLICAÇÃO Para o seu COMEÇAR DE NOVO .. – O que você pode fazer Agora ore e entregue a Deus aquilo que somente Ele pode fazer Para começar de novo … III – EXERCITE SUA FÉ – Neemias 2:17-20 Agora que Neemias já havia encarado a realidade e estabelecido sua estratégia, Ele poderia começar sua jornada de recomeço, COMEÇAR DE NOVO .. Muito da vitória com temos ao tentar COMEÇAR TUDO DE NOVO TEM A VER COM NOSSA REAÇÃO COM NOSSA PERDA OU COM O PROBLEMA Minha reação vira um DESESPERO se encaro o problema como DESASTRE Minha reação vira IRRITAÇÃO se encaro o problema como DESNECESSÁRIO Minha reação vira IRA se encaro o problema como INJUSTIÇA Minha reação vira CULPA se encaro o problema como MERECIDO MAS MINHA REAÇÃO VIRA UM EXERCÍCIO DE FÉ SE EU ENCARO O PROBLEMA COMO UMA OPORTUNIDADE DE CONFIAR EM DEUS PARA COMEÇAR TUDO DE NOVO Romanos 5:3,4 3 E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a [perseverança], 4 e a [perseverança] a experiência, e a experiência a esperança; A . RELEMBRANDO AS INTERVENÇÕES DE DEUS NO PASSADO (2:18) O que Deus havia feito na corte estava bem presente – O Deus que me ajudou com o Rei haverá me ajudar nesta tarefa real – os muros. Ao falar o que Deus havia feito no passado, Neemias encorajava a si e aos que estavam com ele. B. EXECUTANDO O QUE VOCÊ PODE FAZER (2:18b,c e 2:20) Neemias havia feito um plano – agora chegou a hora de executar A força para a execução veio do seu tempo de oração O executar exige determinação para fazer – “Fortaleceram as mãos …” – Preguiça não anda junto com fé A fé que Neemias teve em Deus o levou a iniciar e terminar O COMEÇAR DE NOVO C . ENTENDENDO QUE DIFICULDADES FAZEM PARTE DO PROCESSO DE COMEÇAR DE NOVO – 2:19 Por seis vezes os inimigos de Neemias tentaram impedir a obra O ciúme de outros pode nos tirar a determinação Os obstáculos normais da vida também A CONFIANÇA NO DEUS DA HISTÓRIA MANTEVE NEEMIAS COM O FOCO NO PROPÓSITO OU NO FRUTO DO COMEÇAR DE NOVO ILUSTRAÇÃO – Mezameta em seu tempo de oração costumava dizer, SENHOR MINHAS FILHAS SÃO TUAS. EU VOU TRABALHAR E O SENHOR DÁ PARA ELAS DO FRUTO DESTE TRABALHO. APLICAÇÃO Você quer COMEÇAR DE NOVO no emprego – Aja com fé no que Deus é Você quer COMEÇAR DE NOVO no lar – Vá acertar o que precisa e disponha-se a mudar – Deus tem o tempo dele para fazer o resto. Para começar de novo … IV – ESPERE A INTERVENÇÃO DE DEUS ( 2:7,8; 2:20;6:16) A . NEEMIAS AGIU ESPERANDO QUE DEUS AGISSE Ele pediu coisas a mais ao Rei Ele pediu algo que era incompatível com o status de um copeiro (1;11) Mas Neemias esperava a intervenção de Deus em sua história para COMEÇAR DE NOVO A HISTÓRIA DE JERUSALÉM … B . RELEMBRANDO A FIDELIDADE DE DEUS (2:20) – Hebreus 13:5-6 O mesmo Deus que interviu em sua conversa com o Rei interviria agora que ele havia começado a obra em Jerusalém O Deus do céu – O que fez o céu é o mesmo que fez as promessas para trazer de volta o povo para Jerusalém C. TRABALHANDO NA EXPECTATIVA DE QUE DEUS INTERVIRÁ NO TEMPO DE DEUS Dificuldades viriam – Sambalate e Tobias o bom êxito viria no tempo de Deus – Enquanto Deus não intervisse para terminar a obra eles continuariam trabalhando P.E. – 4:15-18 PORQUE NEEMIAS HAVIA ORADO ELE PODIA ESPERAR A INTERVENÇÃO DE DEUS E ESPERAR O TEMPO DE DEUS PARA QUE ESTA INTERVENÇÃO ACONTECESSE. D. DEUS COMPLETA A OBRA ATRAVÉS DE NEEMIAS E SEU GRUPO (6:15-16) O final de obra trás realização para Neemias O final da obra trás glória para Deus APLICAÇÃO – Você imaginou que mais do que você mesmo, Deus é aquele que quer lhe ajudar COMEÇAR DE NOVO CONCLUSÃO Para começar de novo … Eu e você precisamos … Encarar a realidade da situação com lamento, jejum e oração Estabelecer nossa estratégia, distinguindo que eu posso fazer do que somente Deus pode fazer Exercitar nossa fé executando o que podemos fazer sabendo que enfrentaremos obstáculos Esperar a intervenção de Deus – Deus vai agir porque ele prometeu nunca nos abandonar Lembra do Lúcio no jogo do Brasil ? Ele deu a volta por cima, COMEÇO U DE NOVO. Em 70 minutos Mas, e MEZAMETA ? Ela recomeçou uma nova vida em Andradina As filhas começaram a trabalhar com menos de 11 anos de idade Deus tornou-se presente e atuante na vida daquelas sete mulheres porque a mão resolveu confiar em Deus para COMEÇAR DE NOVO … Todas as filhas vieram a conhecer Jesus durante a adolescência Todas elas estudaram como Mezameta havia pedido a Deus. Cinco delas estudaram no exterior e pelo menos duas se formaram com honras nas universidades onde estudaram Quando a última saiu de casa para estudar ela pediu a Deus – agora é minha vez. Quero te servir totalmente e por nove anos Mezameta foi deã de alunas no Seminário Batista no Rio de Janeiro. Cinco de suas filhas casaram com pastores. Eu tenho o privilégio de morar com duas dessas 7 mulheres (não sou bígamo – Mezameta é minha sogra e Hiroko é o nome japonês da Teca) MEZAMETA PEDIU UM NOVO COMEÇO A DEUS E DEUS DEU Você também pode ter um novo começo, VOCÊ PODE COMEÇAR DE NOVO Quero terminar perguntando – VOCÊ ESTÁ PRECISANDO COMEÇAR DE NOVO ? Somente Jesus pode nos dar um novo começo Explicar como ter Jesus como Senhor e Salvador Venha até aqui orarmos juntos Entregue sua vida a Jesus (explicar sobre fé em Jesus)
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Fechando os Muros
Fechando os Muros
nemias – 6 – 15 : 15
Intro: Vimos na primeira mensagem sobre este livro que após obter autorização do rei Artaxerxes para a reconstrução de Jerusalém, Neemias chega a cidade que estava destruída, durante a noite ele sai pelas ruas para avaliar a situação, quando retorna ele reune os homens de Jerusalém e declara seus planos, imediatamente seus planos são aceitos e a obra começa.
Porque era tão importante reconstruir os muros? Resposta: Sem os muros não se havia separação dos inimigos, com os muros rachados a cidade estava sem proteção, os inimigos entravam e saiam a hora que queriam, seu paganismo, sua idolatria continuavam dentro dos muros de Jerusalém, Neemias então diz: “edifiquemos os muros e deixemos de ser vergonha. 2:17″.
Com os muros erguidos a cidade se fortalece e os inimigos ficam do lado de fora, em 6:15 lemos que a obra acabou em 52 dias.
Poderíamos parar por aqui, adorar a Deus pela vitória que foi dada ao seu povo, a história estaria terminada, porém, as coisas não são bem assim. A reconstrução foi feita, mais diante de muita oposição, poderemos nos separar do pecado e do mundo mas precisamos estar determinados.
Tema: Vejamos o que enfrentou Neemias para reconstruir os muros:
1. Para reconstruir os muros Neemias enfrentou o escárnio ( Neemias 4:1-3).
a. Uma das armadilhas mais usadas por Satanás é o descaso, e foi essa a primeira que ele usou contra Neemias. Vejam o que as pessoas diziam:
i. Fracos judeus (v.2).
- Vocês são fracos, desqualificados, não são especialistas em muros,. Vocês acham que vão mesmo terminar esta obra?
- Desistam vocês nunca irão terminar isso, seu Deus não liga para vocês, para que vão oferecer sacrifícios a esse Deus?
ii. Pedras queimadas (v.2).
- Quando as pedras calcarias são queimadas elas se tornam muito moles e perdem a durabilidade, então estavam dizendo este muro vai cair logo não vai durar, até um animal noturno derrubará seu muro, vocês estão perdendo seu tempo, desistam nós somos mais fortes do que vocês, vamos entrar a qualquer hora aí.
iii. Provocam a ira (v.5).
- Enquanto os homens estavam trabalhando para reconstruir seus muros o inimigo lá estava, provocando, tentando desviar suas atenções da obra, tentando iritá-los a tal ponto que desentissem de tudo.
- Muitas vezes em nossas vidas nós estamos querendo levantar os muros, talvez você está aqui hoje dizendo: Vou consertar os muros da minha vida como disse o filho pródigo “Levantarme-ei e irei ter com meu Pai”, talvez você esteja aqui hoje dizendo: vou colocar o pecado do lado de fora como fez o filho pródigo “pequei contra o céu e diante de tí”, pode ter certeza que Satanás vai tentá-lo a desistir, vai rir de você, vai dizer você é muito fraco para fazer isso, você não tem coragem, Deus não está se importando com você, você já caiu uma vez vai cair de novo.
- Quando alguém está querendo viver uma vida que agrada a Deus ele vai ser motivo de zombaria.
- muitas vezes quando um jovem declara que sente o chamado para o ministério os seus “amigos” vão rir dele.
- muitas vezes quando alguém está querendo voltar atrás colocar padrões morais em sua vida ele vai sofrer perseguição.
- sabe porque muitas vezes nós encontramos nas igrejas jovens que estão isolados pelos cantos com poucos amigos? É por que estão querendo levar sua vida espiritual a sério.
b. Fique firme!
i. Neemias não confiava em sí mesmo porém dizia “O Deus do céu é quem nos dará bom êxito” lembre-se das palavras de Paulo em (Fil. 4:13) “Posso todas as coisas naquele que me fortalece”.
ii. A vontade de Deus é a nossa santificação, e de acordo com Pedro temos que adicionar à nossa fé a perseverança, não dê ouvidos ao inimigo mas prossiga em sua obra de restauração, e não desanime, pois assim fez Neemias e o povo, com ânimo fecharam os muros até a metade (Neemias 4:6).
Sentença Transitiva
Mas não foi somente escárnio que Neemias sofreu na reconstrução dos muros, mas…
2. Para reconstruir os muros Neemias sofreu ataques do inimigo (Neemias 4:7-8).
a. O inimigo uniu forças (v.8).
i. Os arábicos eram liderados por Gesém (Neemias 2:19).
ii. Os amonitas eram liderados por Tobias (Neemias 2:19).
iii. Os asdoditas (Filisteu) provavelmente foram insitados por Sambalá.
b. O inimigo agora quer o confronto (v.8).
i. O inimigo viu que o escárnio não havia funcionado.
ii. Os muros já estavam até a metade, não podiam esperar mais pelas raposas.
iii. Teriam que atacar e o ataque seria secreto (4:11).
c. Como reagiu Neemias aos ataques do inimigo?
i. Com oração (Neemias 4:9).
ii. Estando preparado para o ataque (Neemias 4:9).
- distribuiu o povo (4:13).
- armou o povo (4:13).
- elaborou um plano:
- metade trabalhava a outra metade vigiava (4:16).
- os carregadores, uma mão com espada e a outra com a carga (4:17).
- os edificadores traziam a espada na cinta (4:18).
- todos estavam prontos (4:23).
iii. Vigiando (Neemias 4:21).
iv. Não se descuidando (Neemias 4:22-23).
- Ao que tudo indica muitos judeus não passavam as noites na cidade , mas voltavam para suas aldeias, e essa atitude além de tomar tempo precioso também fazia com que a cidade ficasse desprotegida à noite, e desta feita exposta aos ataques inimigos.
- Neemias então orienta o povo a ficar na cidade e trabalhar o dia e servir de guarda durante a noite.
v. Sendo sábio (Neemias 6:1-4).
- O inimigo é muito astuto, usa de várias estratégias, muitos truques sujos, para nos afastar da obra do Senhor, precisamos de sabedoria vinda de Deus para podermos enfrentar o inimigo, precisamos estar preparados (I Pedro 5:8-9).
- O vale de Ono ficava a aproximadamente a uns 32 Km de Jerusalém, a intenção de Sambalá e seus amigos era a de afastar Neemias da obra, para que na sua ausência atacassem a cidade e até mesmo com a intenção de matá-lo no vale.
- De acordo com o relato quatro vezes o mesmo pedido quatro vezes a mesma resposta.
- Neemias considerava a sua obra mais importante que qualquer outra coisa, e ele não queria jogar seu precioso tempo fora.
- Satanás vai nos fazer convites para nos desviar da obra do Senhor, ele vai insistir, colocará em nossos caminhos a mulher adúltera, jovens vocês serão convidados aos prazeres da mocidade, se não considerarmos a obra de Deus como prioridade iremos aceitar o convite, Neemias disse: “Estou fazendo grande obra”.
Sentença Transitiva
Não foi somente escárnio e ataques que Neemias sofreu, mas também…
3. Para reconstruir os muros Neemias foi caluniado (Neemias 6:5-9).
a. Mais uma investida para afastar Neemias da obra, dessa vez foi a calúnia, a carta foi lida em público com o objetivo de:
i. Talvez fazer com que ele fosse até Ono para esclarecer os fatos, e assim a obra seria interrompida.
ii. Minar sua autoridade, dizendo que ele havia comprado os profetas para falarem dele ao povo e proclamá-lo rei.
b. Quando estamos querendo arrumar nossas vidas diante de Deus, quando estamos querendo erguer novamente os muros da separação do mundo, do pecado e vivermos uma vida santa e que agrada a Deus Satanás vai tentar nos caluniar, usando pessoas para julgar nossos motivos e intenções. Não desanime pois “Deus fortalecerá suas mãos”.
Sentença Transitiva
Neemias sofreu escárnio, ataques, calúnia e também…
4. Par reconstruir os muros Neemias foi traído (Neemias 6:10-13).
a. O profeta diz a Neemias: Deus me revelou que os inimigos vão tentar te matar ainda esta noite, vamos pois ao templo e nos escondamos lá.
b. Neemias conhecia seu Deus e sabia que Ele não iria dar uma profecia que contrariasse a lei de Moisés, que impedia que um leigo entrasse no templo.
c. Quando alguém está andando com Deus e conhecendo a sua palavra ele não vai dar ouvidos a falsos profetas e a falsas doutrinas (Heb. 4:12 & 5:14).
5. Conclusão
a. Assim em meio a zombaria, ataques, calúnia e traição a obra foi concluída em 52 dias.
b. Não se preocupe se ao tentar consertar sua vida você sofrer ataques.
c. Lembre-se esses ataques podem vir até de dentro da sua própria casa ou igreja.
d. Tenha sempre em mente esta grande verdade: “Deus dos céus é quem nos dará bom êxito.”
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O “adorno” da mulher cristã: proibição ou privilégio?
O “adorno” da mulher cristã: proibição ou privilégio?
Elizabeth Zekveld Portela
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É certo uma mulher cristã se enfeitar? Na maioria das igrejas contemporâneas são raros os pastores que sobem ao púlpito para dizer que não. Reconhecemos, porém, que existem algumas comunidades cristãs que sinceramente consideram que as mulheres devem evitar o uso de jóias, maquiagem e roupas vistosas e que controlam até o corte e o penteado dos seus cabelos. Qual a legitimidade dos adornos femininos?1 Qual a expressão real da modéstia cristã? E o que isso tem a ver com a percepção daquilo que a Bíblia realmente ensina sobre a natureza, o propósito e especialmente o valor das mulheres cristãs — tanto as do passado quanto as do presente? Ao pesquisarmos, verificamos que a interpretação dos textos pertinentes ao assunto tem sido, muitas vezes, afetada por pontos de vista preconcebidos, tanto pelos que aceitam quanto pelos que rejeitam adornos externos nas mulheres.
I. O DILEMA
Será que é possível uma mulher usar adornos externos ou um pastor temente a Deus permitir que as senhoras e moças da sua igreja se enfeitem sem ir de encontro às duas passagens bíblicas citadas para proibir o uso de todos ou certos adornos? Elas parecem ser tão claras e específicas!
1 Timóteo 2.9-10 diz: … que as mulheres, em traje decente, se ataviem com modéstia e bom senso, não com cabeleira frisada e com ouro, ou pérolas, ou vestuário dispendioso, porém com boas obras (como é próprio às mulheres que professam ser piedosas).
1 Pedro 3.3-6 declara: Não seja o adorno das esposas o que é exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário; seja, porém, o homem interior do coração, unido ao incorruptível de um espírito manso e tranqüilo, que é de grande valor diante de Deus. Pois foi assim, também, que a si mesmas se ataviaram, outrora, as santas mulheres que esperavam em Deus, estando submissas a seus próprio maridos, como fazia Sara, que obedeceu a Abraão, chamando-lhe senhor, da qual vós vos tornastes filhas, praticando o bem e não temendo perturbação alguma.
Quantos dos pastores que acatam os adornos femininos nos cultos podem dar uma explicação clara sobre essa atitude às suas igrejas? Quantos de nós têm certeza absoluta daquilo que estamos “aprovando,” implicitamente, pelo uso? Ou estamos abrigando “dúvidas” e ainda assim procedendo por causa de comodidade ou vaidade? A Bíblia é clara quando diz que a falta de certeza sobre o nosso comportamento indica que estamos pecando, embora estejamos fazendo algo que talvez não seja pecaminoso em si (Rm 14.12, 22-23).
Existem centenas e milhares de mulheres no Brasil e pelo mundo afora, que amam a Deus de todo o coração, mas que sentem uma fisgada de desconforto e culpa quando lêem essas passagens. Perguntam a si mesmas se estão sendo carnais, se estão falhando na sua espiritualidade. Numa era em que seus maridos ou namorados estão cercados de mulheres que combatem a celulite, a gordura, as rugas e os cabelos brancos como inimigos mortais e na qual a humanidade valoriza intensamente a aparência física, elas não conseguem evitar arrepios ao pensar nas possíveis conseqüências de deixar de lado os próprios esforços em prol de uma aparência agradável. A maioria chega à conclusão que ficariam sem condições emocionais e sociais para continuar convivendo e trabalhando adequadamente nas esferas onde Deus as colocou. Ao olhar ao redor de si, notam que nenhum líder na sua igreja está advogando a abstenção dos adornos e cosméticos. Concluem que essas pessoas devem ter entendimento mais apurado do assunto e continuam como estão. Mas o sentimento de culpa continua, especialmente quando alguém lhes aponta esses versículos e lhes conclama a uma auto-defesa.
Enquanto isso, há outras tantas mulheres que realmente praticam a abstinência de qualquer enfeite externo (dentro dos limites estipulados por suas igrejas). Tendo entregue a vida a Deus, conseguem conviver relativamente bem com essa situação, especialmente porque encontram um sistema de apoio mútuo dentro dos seus círculos eclesiásticos. As suas vidas se entrelaçam quase inteiramente com o seu lar e com a sua igreja e as atividades desta. Sofrem muito, entretanto, quando tentam passar essas mesmas proibições às suas filhas que têm que conviver diariamente com um mundo que se nega a dar-lhes valor e que ri da sua falta de adornos e das suas roupas diferentes, nas escolas e nos empregos. Filhas que sofrem e olham para outras mulheres cristãs que não se abstêm e perguntam — “Porque elas podem, e eu não?” — e que são prontamente admoestadas por sua falta de amor a Deus e exortadas com frases do tipo “Enganosa é a graça e vã a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada” (Pv 31.30) ou “Nós não queremos que a nossa filha seja confundida com uma Jezabel!”2
II. A Necessidade de Aprofundamento na Questão
É, portanto, urgente que haja uma verificação mais aprofundada do significado e da importância dos textos principais que se referem a esse assunto. É extremamente relevante também porque o texto de 1 Timóteo está enraizado nas orientações específicas de Paulo a respeito do comportamento de homens e mulheres nas igrejas, especialmente na área de liderança. A outra determinação se encontra em meio aos conselhos de Pedro, a ambos os sexos, sobre a vida no lar. Trata-se de áreas extremamente polêmicas nas igrejas e no mundo em que vivemos porque muitos têm chegado à conclusão de que esses versos eram condicionados a um tempo que já passou e portanto não se aplicam aos dias de hoje.3 Como evitar o desprezo de parte de uma passagem se nós mesmos não conseguimos explicar a razão pela qual seguimos ou não seguimos a aparente instrução da outra parte?
Existe muita confusão a respeito da autoridade masculina na igreja e no lar porque a liderança masculina nas igrejas tem, vezes demais, se mostrado indiferente ao valor, sentimentos e dons das mulheres com que convivem, deixando pouco ou nenhum espaço para a sua expressão, inclusive na área dos adornos. Começando pelos Pais da Igreja, passando por expoentes da Reforma e por grande número de teólogos e comentaristas de renome, verificamos negligência e omissão em algumas áreas do seu lidar com a metade feminina do povo de Deus.4 Em muitas ocasiões, a legítima liderança amorosa masculina se deteriorou num domínio arrogante e agressivo, baseado em pressuposições errôneas de superioridade.5 Se tivessem sido mais compreensivos e dado igual atenção nos seus sermões e escritos ao exemplo de Jesus quando lidava com as mulheres e às orientações de Pedro (e de Paulo também – Ef 5.25-33; Cl 3.19) para os homens,6 a situação atual talvez fosse bem diferente.
III. Preconceitos, Prescrições e Omissões
A. A Tendência Judaica
Os Pais da Igreja não se desviaram da opinião judaica a respeito de mulheres, prevalecente no período apostólico. Filo de Alexandria, um contemporâneo de Paulo e Pedro, declarou:
…a fêmea é imperfeita, sujeita, vista mais como o parceiro passivo do que o ativo. E já que os elementos dos quais consistem a nossa alma são dois – a parte racional e a parte irracional – a parte racional pertence ao sexo masculino, sendo a herança de intelecto e razão; mas a parte irracional pertence ao sexo feminino, e também os sentidos externos. E a mente é em cada respeito superior ao sentido externo, como é o homem à mulher.”7
Na compilação das tradições orais preservadas pelos judeus, os homens eram encorajados a agradecer a Deus diariamente por não tê-los feito “nem gentio, nem mulher, nem escravo.”8 No templo em Jerusalém as senhoras não podiam passar do átrio das mulheres,9 um isolamento até considerado natural pela maioria dos comentaristas, mas que, na realidade, não existia no plano divino para o tabernáculo (1 Sm 1.9-10) e nem no primeiro templo (1 Cr 28.11,19; 1 Rs 5-8), refletindo tão somente o preconceito do judaísmo. Paradoxalmente, os adornos parecem ter sido amplamente utilizados nesse período.10
B. A Tendência Patrística
Não existe registro de como os lideres das igrejas que receberam as cartas de Paulo e Pedro interpretaram e aplicaram as suas palavras nos textos já mencionados. Mas os Pais da Igreja dos séculos subseqüentes tornaram-se totalmente contrários ao uso do adorno feminino. Tertuliano (160-220 DC) reclamou sobre as mocinhas: “Elas consultam o espelho para ajudar a sua beleza, gastam a pele do rosto de tanto lavar, tentando tornar o mesmo sedutor com cosméticos, arrogantemente jogam uma capa por cima dos ombros, colocam seus apertados sapatinhos multiformes e levam bem mais acessórios quando vão ao banho.”11 Cipriano (c. 250 DC) ensinou que “os adornos e as roupas vistosas e as seduções da beleza pertencem apenas a prostitutas e mulheres desenvergonhadas, e a vestimenta mais cara acompanha aquela cuja modéstia é a mais barata.”12 Jerônimo (340-420 DC) perguntou: “Qual o lugar de ruge e chumbo branco no rosto de uma senhora crista?… Servem apenas para inflamar as paixões dos homens jovens, para estimular a lascívia e para indicar uma mente impura.”13 Eram homens de peso na história da igreja cristã — mas quase todos com tendências ascéticas.
C. Nosso Propósito
Neste ensaio, tentaremos estabelecer que Paulo e Pedro não estavam proibindo o uso de adornos pelas mulheres, mas que, ao contrário, eles estavam contrastando o legítimo adorno externo com algo bem mais valioso – o adorno interno. Verificaremos de forma resumida e geral o que a igreja tem ensinado a respeito disso durante os dois milênios que se passaram. Examinaremos os versos nos seus contextos histórico, bíblico, teológico e textual. Ao mesmo tempo, procuraremos conhecer um pouco melhor tanto as intenções dos apóstolos quanto a natureza das mulheres da época, para podermos nos aproximar mais da sua realidade e então compará-la à nossa situação atual.
IV. O CONTEXTO HISTÓRICO DAS PASSAGENS
As passagens polêmicas fazem parte integral de duas cartas escritas pelos apóstolos Paulo e Pedro no início dos anos 60 D.C.14 Paulo endereçou a sua carta ao seu filho na fé Timóteo, que se encontrava na cidade de Éfeso supervisionando as igrejas da Ásia,15 enquanto que os eleitos … forasteiros da Dispersão, no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia receberam os conselhos e admoestações de Pedro (1 Pe 1.1), quase ao mesmo tempo. Em circulação entre essas pessoas provavelmente já estavam as cartas de Paulo aos Gálatas, Efésios, Colossenses e a Filemom, como também a carta de Tiago “às doze tribos que se encontram na Dispersão” (Tg 1.1).
A. O Império Romano
Nesse período, na cidade de Roma (onde Paulo esteve e Pedro estava), o desequilibrado imperador Nero (37-68 DC) manipulava o Império Romano. Existia uma sensação de instabilidade muito grande.16 Apesar da existência de leis e de um sistema de justiça tão bom que formou a base de muitos códigos civis da nossa atualidade, sabia-se que a vida de um ser humano valia muito pouco para os conquistadores.17 Outra evidência da degradação humana reinante podia ser vista nos divertimentos oferecidos nas principais cidades do império, onde os romanos haviam construído anfiteatros ou estádios. Eram violentos e brutais. Nos combates entre feras, milhares de animais morriam anualmente. Mas o gosto pelo derramamento de sangue se satisfazia mais terrivelmente ainda com a luta entre gladiadores, onde prisioneiros de guerra, escravos e criminosos eram armados e forçados a lutar até o fim. O vencido era morto.18
Em 64 DC, haveria um incêndio enorme em Roma. Muitos responsabilizariam Nero. Ele, por sua vez, acusaria os cristãos da cidade. Assim, a mando de Nero, apenas dois ou três anos depois de Paulo e Pedro terem escrito essas cartas, muitos cristãos seriam lançados às feras ou colocados, desarmados, para enfrentar gladiadores diante de milhares de espectadores nos anfiteatros de Roma.19 Seria o início de perseguições esporádicas pelo governo romano que durariam dois séculos e meio. Diz a tradição que os dois apóstolos foram mortos durante as perseguições neronianas.20
Na sociedade romana sob a influência de Nero (e dos seus antecessores), havia uma constante procura por excelência na qualidade e na estética, como também um interesse por novidades. Sendo grande amante das artes, Nero dava grande valor às coisas e pessoas bonitas. Nunca usava a mesma roupa duas vezes.21 Assim, a alta sociedade da época se preocupava com a sua aparência ainda mais que as gerações anteriores , e isto ocorria não somente na cidade de Roma mas em todo o império. Os gostos e costumes das mulheres romanas tornaram-se “chiques.” Conhecer e satisfazer as tendências e as preferências romanas era vital para todos aqueles na Ásia Menor que trabalhavam com o comércio e também para aqueles que se destacavam na alta sociedade.
B. Ásia Menor
A província romana da Ásia se encontrava na enorme península denominada subseqüentemente como Ásia Menor, hoje conhecida como Turquia. Ponto, Galácia, Capadócia e Bitínia eram outras províncias romanas nessa mesma península. Juntamente com a Ásia, abrangiam a quase totalidade da Ásia Menor, excetuando a área costeira do sul.22
O fato pode surpreender, mas a província da Ásia foi a parte mais próspera do Império Romano durante os dois primeiros séculos da era cristã. Era a maior fonte da riqueza de Roma e várias rotas de caravanas que traziam os tesouros do Oriente (como algodão e seda) findavam na sua capital, Éfeso, centro político, comercial e cultural da área.23 Militares e governantes eram enviados de Roma até lá regularmente para manter as leis e a ordem, e também para supervisionar o comércio. Alguns traziam as suas famílias.
Tanto a Ásia quanto grande parte da Ásia Menor daquele período (especialmente no litoral) gozavam de um passado e presente cultural do mais alto nível. Para dizer a verdade, esse não seria igualado novamente no mundo ocidental até a renascença européia dos séculos XV e XVI.24 Apesar de já estar sob domínio romano por quase dois séculos (desde 133 AC), a península era essencialmente grega, pois havia sido colonizada pelos gregos no século VIII AC. Muitos dos filósofos, cientistas e artistas da antigüidade que admiramos e conhecemos como “gregos” realmente não eram do continente europeu, mas daqui, já bem antes do período apostólico.25 Algumas das esculturas “gregas” mais conhecidas através da história foram feitas por artistas da Ásia Menor.26 Três das “Sete Maravilhas do Mundo Antigo” encontravam-se na Ásia. 27
V. AS MULHERES DA ÁSIA MENOR
Já que ambas as missivas se destinaram primariamente a cristãos da Ásia Menor, cabe analisarmos as mulheres dessa área, citadas nominalmente nos escritos neo-testamentários, como representantes daquelas que estavam sendo instruídas pelos dois apóstolos. Dentre essas, encontramos Eunice, Priscila, Lídia, Áfia e Ninfa. Todas tinham ligações concretas com as igrejas ou províncias que receberam as instruções originais sobre o verdadeiro adorno feminino. Provenientes das quatro principais culturas que já estavam convivendo lado a lado na Ásia Menor por dois séculos ou mais, eram de ascendência romana, grega, judaica ou autóctone, com variado grau de integração com as culturas nas quais viviam. Um exame mais aproximado fará com que elas e as suas irmãs em Cristo possam tornar-se mais reais e relevantes para nós.
A. Mulheres Diversas com Personalidades Marcantes
Eunice (mãe de Timóteo) era uma mulher judia instruída e inteligente, com uma fé exemplar, casada com um incrédulo grego, de classe alta, que morava numa colônia romana da Ásia Menor e convivia com pessoas simples do interior (os licaônios) (At 16.1; 2 Tm 1.5, 3.15).28
Priscila representa uma mulher romana ou judia, de classe média ou alta, forte, inteligente e corajosa, provavelmente poliglota e instruída, bem casada com um judeu da Ásia Menor que, por causa da sua fé, enfrentou perseguições e aprendeu a viver bem em Roma, na Grécia e na Ásia Menor, absorvendo e refletindo aspectos significativos das três culturas (At 18.1-26; Rm 16.3-5; 1 Co 16.19; 2 Tm 4.19).29
Lídia (At 16.12-40) era uma mulher grega proveniente da cidade de Tiatira, na Ásia Menor. Ela vivia numa colônia romana e seguia a religião judaica. A sua profissão era ligada ao vestuário dispendioso (a venda de púrpura). Quando converteu-se à religião cristã, ela aparentemente conservou a sua profissão e atividades.
Deduzimos que Ninfa (de Laodicéia – Cl 4.15) e Áfia (de Colossos – Fm 1.2) eram mulheres ricas pois tinham casas suficientemente grandes para hospedarem igrejas. Conviviam com escravos cristãos (Cl 3.22-4.1). Provavelmente, eram de origem local (Frígia – já bem aculturadas) ou grega.30
Observamos que todas essas cinco senhoras foram mencionadas com carinho e admiração por Paulo ou Lucas. Outros tipos de mulheres também se faziam presentes nas igrejas citadas. Além das esposas de homens descrentes ou infiéis (especificamente endereçadas nas instruções de Pedro) também estavam as filhas, mães ou irmãs destes. E não devemos supor que todas as mulheres participantes dos cultos eram convertidas, pois poderiam estar ali por convite das amigas, por obrigação (em submissão aos pais ou maridos) ou até terem sido batizadas após a conversão do homem da casa). Realmente não eram tão diferentes das senhoras e moças da atualidade, como pode nos parecer à primeira vista.
B. A Moda Romana
Ao nosso ver, as técnicas e produtos daqueles dias podem parecer muito artesanais e simples, comparados aos atuais. Mas as mulheres da Ásia Menor estavam vivendo num clima de crescente criatividade e desenvolvimento cultural. Este duraria até o declínio do império romano e não voltaria por mais mil anos.31 O exército romano mantinha a paz – a famosa Pax Romana – na maior parte do império. Produtos e pessoas cruzavam terra e mares com maior facilidade. O mercado para os tecidos e corantes asiáticos crescia e os comerciantes e os fabricantes tinham que inovar e melhorar para continuar garantindo o seu espaço no mercado mundial. Nota: A cidade de Laodicéia era famosa por sua lã negra e lustrosa, proveniente de ovelhas negras. Colossos era conhecida pela lã peculiarmente arroxeada. Tiatira era especializada em tinturaria.32 O nome para bordador em Roma era phrygio, de tão famoso que eram os bordadores da área de Frígia.33 Também era importante o controle dos produtos que chegavam mais e mais de países distantes (Pérsia, Índia, China) pelas caravanas. Ao mesmo tempo, as mulheres romanas tinham mais e melhores condições para acompanharem os seus maridos, trazendo consigo as últimas novidades.34 O conhecimento da última moda romana chegava constantemente a todas as principais cidades do império através das esposas e filhas dos governantes e militares de cada província e país. Como lavadeiras, costureiras, escravas, empregadas domésticas ou artesãs, como esposas ou filhas de comerciantes e artesãos, ou como parte da alta sociedade local, a maioria das mulheres tinha contato direto ou indireto com os costumes romanos.
Em meio a todas elas estavam muitas mulheres cujos maridos certamente eram fabricantes, comerciantes ou transportadores de roupas e produtos de beleza há anos. A renda da família poderia depender tanto dos produtos locais quanto daqueles que passavam pelas rotas das caravanas ao longo das quais estavam localizadas quase todas as cidades visitadas por Paulo. Considerando que o mercado principal era o romano, grande parte das mulheres locais já havia se adaptado ao domínio e às práticas romanas (com a exceção provável de umas poucas judias recém-imigradas35 e algumas mulheres nas áreas mais afastadas). O intercâmbio cultural era intenso e se não chegavam a seguir todas as tendências, pelo menos sabiam delas e muitas vezes viviam delas. Assim sendo, podemos imaginar a filha de um comerciante de tecidos tentando convencer o pai de que precisava de alguns metros do linho fino importado, ou a de uma costureira deslizando os dedos sobre uma seda macia enquanto sonha com o olhar apaixonado de um belo rapaz. Enquanto isso, as escravas das mulheres ricas ou aspirantes receberiam ordens para descobrir os segredos da “beleza” das romanas. Nas reuniões e festas, status e aceitação poderiam depender da sua aproximação aos valores ditados pela moda romana. Lídia e Priscila e as nossas outras três mulheres sempre haviam convivido com essa situação. Paulo também a conhecia.
VI. O EFEITO DO CRISTIANISMO NAS MULHERES DA ÁSIA MENOR
Era essa, pois, a situação em que se encontravam as mulheres cristãs da Ásia Menor. Várias raças, diversas línguas, religiões e culturas, modernidade ao lado de “atraso,” e luxo e riqueza emparelhados com simplicidade ou pobreza. Mulheres nascendo, casando, criando filhos, enviuvando, trabalhando, sonhando, criando. Algumas haviam nascido em religiões variadas que não satisfaziam e que pouco se preocupavam em prover-lhes felicidade e sentido para a vida, especialmente por serem mulheres.36 Outras, como Eunice, já conheciam e respeitavam o Deus verdadeiro desde pequenas. Mas até para ela, e talvez principalmente para ela, a mensagem salvadora dos apóstolos significaria uma imensa e maravilhosa transformação e alegria.
O cristianismo estava tendo implicações enormes na estrutura das sociedades nas quais entrava. A pregação dos apóstolos significava uma mudança de vida tão radical que eles foram acusados de estarem transtornando o mundo, enquanto estavam na Grécia (At 17.6). E era verdade! Pela primeira vez na história humana, barreiras tradicionais que sempre haviam existido estavam sendo abertamente derrubadas. Analfabetas, letradas, escravas, servas, donas de casa, artesãs, esposas de comerciantes, “socialaites” e até ex-prostitutas poderiam estar sentadas lado a lado para adorar ao mesmo Deus e para aprender como agradá-lo. Maltratadas e bem-cuidadas, cansadas e animadas, ricas e pobres, solteiras, casadas e viúvas – elas repentinamente faziam parte da mesma família. Eram irmãs, filhas adotadas por um mesmo Pai da maneira como elas eram. E não somente as barreiras sociais estavam sendo desfeitas: também as culturais e nacionais haviam de ser esquecidas no convívio entre gregas, judias, romanas e locais. Paulo resumiu tudo isso na sua carta aos Colossenses (habitantes da província da Ásia), quando disse que na igreja “não importa a nacionalidade, a raça, a educação ou a posição social de alguém: estas coisas não significam nada. O que importa é se a pessoa tem Cristo ou não…” (Cl 3.11, Bíblia Viva)
Timóteo e os outros pastores estavam confrontando situações jamais vistas antes. Com a quebra dessas barreiras, um grande número de pessoas (e de senhoras) talvez estivesse sem entender os limites da sua nova liberdade. As epistolas de Paulo, Pedro e Tiago lidam com muitos dos problemas que surgiram. E um deles é o assunto do qual estamos tratando — com Paulo e Pedro determinando qual deveria ser o comportamento das mulheres nas igrejas e nos lares da Ásia Menor.
VII. A APROVAÇÃO IMPLÍCITA DE ORNAMENTOS NA BÍBLIA
Antes de voltarmos aos textos de 1 Timóteo e de 1 Pedro, interessa, em primeiro lugar, verificar o que indicam algumas das muitas referências sobre jóias, adornos e a beleza feminina constantes da revelação divina encontrada no restante da Bíblia.
Abraão, marido de Sara, aquela que Pedro elogia como exemplo de mulher santa, enviou jóias e vestidos para a futura esposa do seu filho, Isaque. “Tomou o homem um pendente de ouro de meio siclo de peso, e duas pulseiras para as mãos dela, do peso de dez siclos de ouro…Tirou jóias de ouro e de prata, e vestidos, e os deu a Rebeca” (Gn 24.22,47,53). Deus abençoou todos os passos para a realização desse matrimônio.
Deus permitiu que os israelitas recebessem jóias e roupas do povo do Egito (Êx 12.35) e aceitou com agrado a contribuição voluntária de uma parte destas para serem transformadas em utensílios e enfeites para o tabernáculo, o lugar em que ele seria adorado (Êx 35.22, 23; 28.17-20). Moisés transmitiu a mensagem: “Tomai, do que tendes, uma oferta para o Senhor; cada um, de coração disposto, voluntariamente a trará por oferta ao Senhor: ouro, prata, bronze, estofo azul, púrpura, carmesim, linho fino, pêlos de cabras, peles…, pedras de ônix e pedras de engaste…(Êx 35.5-9). Êxodo 35 a 39 descreve a beleza desse tabernáculo e os detalhes das vestes dos sacerdotes, tudo do melhor e do mais bonito. Ouro, linho, pedras preciosas, anéis, argolas, coroa… Quando os israelitas tiraram o espólio do povo de Canaã, Deus nunca deu ordens para que deixassem de lado as jóias e roupas bonitas que estariam entre as riquezas que poderiam levar, nem que as aproveitassem de outra maneira. “Voltais às vossas tendas com grandes riquezas, com … prata, ouro,… e muitíssima roupa, reparti com vossos irmãos o despojo dos vossos inimigos” (Js 22.8).
No livro de Cantares de Salomão, que por muitos é considerado tanto um poema sobre o amor humano quanto uma expressão do amor entre Deus e o seu povo, Salomão falou à sua amada: “Formosas são as tuas faces entre os teus enfeites, o teu pescoço com os colares” (Ct 1.10). Em Provérbios 11.9 e 25.12 a instrução dos pais e a palavra do sábio repreensor foram comparadas a um “diadema de graça para a tua cabeça, colares para o teu pescoço, e pendentes e jóias de ouro puro.” A tão admirada mulher virtuosa de Provérbios 31 vestia-se de “linho fino e de púrpura” (v. 22) e conseguiu vestir a sua família com uma vistosa “lã escarlate” (v. 21). Seu valor excedia o de “finas jóias” (v. 1).
Quando Deus descreveu o seu amor para com o povo de Israel (Ez 16.8-14), ele disse:
Também te vesti de roupas bordadas, e te calcei com peles de animais marinhos, e te cingi de linho fino e te cobri de seda. Também te adornei com enfeites, e te pus braceletes nas mãos e um colar a roda do teu pescoço. Coloquei-te um pendente no nariz, arrecadas nas orelhas, e linda coroa na cabeça. Assim foste ornada de ouro e prata; o teu vestido era de linho fino, de seda, e de bordados;… eras formosa em extremo e chegaste a ser rainha. Correu a tua fama entre as nações por causa da tua formosura, pois era perfeita, por causa da minha glória que eu pusera em ti.
Em Isaías 61.10, a beleza da salvação foi comparada à da “noiva que se enfeita com as suas jóias,” enquanto que em Apocalipse 21.2 a Nova Jerusalém está “ataviada como noiva adornada para o seu esposo.” As pérolas foram consideradas coisas de valor por Jesus em Mateus 7.6 e por Deus em Apocalipse 21.21.
É verdade que as citações acima são descritivas e não prescritivas. Deus, nessas passagens, não fez nenhuma declaração específica aprovando ou encorajando os adornos femininos. Mas é importante notar que ele também não os proibiu. Nas passagens em que Deus castiga as mulheres do seu povo, tirando os seus adornos, a razão dada é que elas os haviam usado de maneira imprópria (Ez 16). Não há declaração de que esses sejam errados em si. No mesmo capítulo, a mulher que representa Judá seria despida dos seus vestidos enquanto que as suas finas jóias seriam tomadas por causa da sua lascívia e prostituição. Não somente seus vestidos de luxo seriam tirados, mas toda a roupa, pois ela ficaria completamente nua e descoberta (v. 39), e ninguém disputa a propriedade de se usar roupa.
Também em Isaías 3.16-24 “as filhas de Sião” estavam sendo altivas, andando de pescoço emproado, de olhares impudentes, e de maneira vergonhosa (como as de Sodoma). Deus então catalogou uma lista completa dos objetos para embelezamento que ele iria tirar delas – uma lista que tem sido usada por muitos comentaristas do passado para resumir tudo que pensam que Deus não aprova (apesar de falar também de mantos, espelhos, bolsas e véus). Mas basta reler o início de Ezequiel 16 para sentir como Deus estava validando e se identificando com o profundo anseio das mulheres que ele mesmo imaginou e criou de serem bonitas e admiradas. Observemos que é com os lindos objetos de adorno que ele completa a perfeição da formosura dessa mulher que representa o seu povo amado. Aquela mulher bonita (e adornada), entretanto, não deveria se esquecer de que a sua beleza foi dada e permitida por Deus com o propósito de ser usado para refletir a sua glória: “Correu a tua fama… por causa da minha glória que eu pusera em ti” (v. 14). Foi quando as mulheres se desviaram desse propósito e confiaram na sua própria formosura que os adornos foram retirados.
As passagens acima demonstram que se Deus tivesse aversão ao adorno externo feminino, ele teria usado essas ocasiões, que seriam óbvias, para avisar ao seu povo que ele não queria o uso desses enfeites. De fato, personagens bíblicas deram, usaram e receberam jóias, enfeites e roupas bonitas sem recriminação da sua parte. Ele embelezou o seu tabernáculo e os sacerdotes com jóias e adornos. O maior exemplo do significado das sublimes bênçãos divinas, que ele mesmo mencionou, é o do homem que procura satisfazer à sua amada, cobrindo-a de adornos por inteiro. Ele conclui a sua revelação aos seus filhos descrevendo a beleza da sua igreja e da futura Jerusalém, usando a noiva enfeitada como a ilustração mais adequada.
VIII. ANÁLISE DOS TEXTOS DA CONTROVÉRSIA
Voltemos agora aos textos da controvérsia. Paulo e Pedro, falando a senhoras e moças nas igrejas recém-formadas, compararam dois tipos de “adornos.” Aparentemente, os dois condenaram o primeiro tipo, o “adorno exterior.” Mas olhemos, com muita atenção, algumas outras passagens da Bíblia (escolhidas dentre muitas) em que também são feitas comparações ou contrastes.
A. Comparações em Outros Textos
No Antigo Testamento, em Gênesis 45.8, José falou: “…não fostes vós que me enviastes para cá, e, sim, Deus…” Assim, à primeira vista, poderíamos concluir que os irmãos de José não o mandaram para Egito. Mas, um pouquinho antes (no v. 4), José já havia dito: “Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito.”
No Salmo 51.16-17, o rei Davi expressa a sua imensa contrição pelos pecados de adultério e de homicídio cometidos por ele e faz as seguintes declarações ao seu Deus: “Pois não te comprazes em sacrifícios, do contrário eu tos daria; e não te agradas de holocaustos. Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus.”
No Novo Testamento, podemos estranhar algumas declarações de Jesus. Em Lucas 14.12 ele ensina: “Quando deres um jantar ou uma ceia, não convides os teus amigos… nem teus parentes… antes convida os pobres…” Depois, em João 6.27, ele aconselha: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna…” Falando de Lázaro em João 11.4, Jesus diz: “Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus.”
Por que Davi falaria que Deus não se compraz com sacrifícios e holocaustos quando todos nós sabemos que a “Bíblia” dele estava repleta de instruções sobre como e quando oferecê-los?37 Podemos concluir que Jesus proibiu que convidemos os nossos amigos para jantar em nossa casa quando ele mesmo freqüente e alegremente aceitou convites para jantar (Lc 7.36; Jo 12.2) e organizou a “última ceia” para celebrar a Páscoa com seus amigos mais íntimos (Lc 22.7-23)? Se não devemos trabalhar pelo nosso sustento, Paulo estaria contradizendo Jesus quando ele ordenou que aquele que não quisesse trabalhar não deveria ser alimentado e exortou as pessoas preguiçosas a trabalharem para comer (2 Ts 3.10-12)? Se Lázaro não morreu, como explicar a revelação posterior de Jesus (Jo 11.14) quando afirmou claramente: “Lázaro morreu”?
B. Expressões Idiomáticas nas Línguas Semíticas
A resposta ao enigma aparente é simples. Acontece que estamos lidando com expressões idiomáticas freqüentemente usadas pelos judeus.38 Em muitas ocasiões, quando queriam comparar ou contrastar duas coisas, eles deixavam de lado as palavras limitadoras e falavam coisas opostas para enfatizarem o que queriam dizer. Muitas vezes diziam “não… mas” ou “não… sim,” quando o significado real era “nem tanto… mas muito mais” ou “não primariamente (ou meramente ou apenas)… mas especialmente (ou muito mais ou também).”39 Todo mundo quase sempre entendia isso da maneira como deveria ser entendido. Mas a nossa língua não funciona assim e quando a Bíblia foi traduzida para o português (e para muitas outras línguas), os tradutores, nesses casos, deixaram o entendimento para o nosso bom senso, em vez de adicionar palavras àquelas que se encontravam no texto original.
1. Aplicação aos Outros Textos
Podemos e devemos concluir que há uma expressão idiomática nessas passagens. Voltando ao Salmo 51, lemos logo depois, no versículo 19: “Então te agradarás dos sacrifícios de justiça, dos holocaustos e das ofertas queimadas; e sobre o teu altar se oferecerão novilhos.” Davi estava ciente de que, naquela hora, “Deus não poderia se agradar de meros sacrifícios externos — das ofertas de sangue em si, desacompanhadas da expressão de penitência genuína.”40 Eis a palavra chave com a qual o primeiro versículo pode fazer sentido. Assim, podemos parafrasear o texto da seguinte maneira: “Pois não te comprazes em meros sacrifícios, do contrário eu tos daria; e não te agradas meramente de holocaustos. Sacrifícios muito mais agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus.”
Voltando aos outros versículos, colocaremos as palavras que farão com que as declarações tenham mais sentido em nossa língua:
“Assim não fostes (apenas, meramente ou tanto)vós que me enviastes para cá, mas muito mais (em primeiro lugar) Deus.”
“Quando deres um jantar… não convides (apenas ou sempre) os teus amigos, … mas convida especialmente os pobres.”
“Trabalhai, não (primariamente ou meramente) pela comida que perece, mas especialmente pela que subsiste para a vida eterna.”
“Esta enfermidade não é (somente ou primariamente) para morte, mas especialmente para a glória de Deus.”
2. Aplicação aos Textos de 1 Timóteo e 1 Pedro
Seguindo nessa mesma linha de raciocínio, os nossos versículos sobre o adorno poderiam ser entendidos da seguinte maneira:
Da mesma sorte, que as mulheres, em traje decente, se ataviem com modéstia e bom senso, não tanto com cabeleira frisada e com ouro, ou pérolas, ou vestuário dispendioso, mas muito mais com boas obras…
Não seja o adorno das esposas primariamente o que é exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário; mas muito (infinitamente!) mais o homem interior do coração, unido ao incorruptível de um espírito manso e tranqüilo, que é de grande valor diante de Deus…
Pode-se, entretanto, argumentar que essas cartas foram escritas em grego e que, se isso é uma expressão idiomática semítica, por que estaria presente nessa língua? É preciso, porém, observar que existem outras passagens gregas no Novo Testamento que chamam para si interpretações semelhantes, indicando que essa questão é muito mais de estrutura de pensamento hebraica, que permanece inalterada mesmo quando os autores se expressam em grego, do que uma questão linguística. O apóstolo João em 1 João 3.18 declara: “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.” O mesmo ocorre com a declaração de Paulo em 1 Coríntios 15.10.
Ao examinarmos na Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento usada nas sinagogas da Ásia Menor) os textos anteriormente citados (Salmo 51 e Gênesis 45), verificamos que ela traslada para o grego, de forma semelhante e com os mesmos negativos utilizados por Pedro, a expressão idiomática que está presente no texto hebraico. Sabemos, também, que Paulo e Pedro não somente nasceram e cresceram usando o hebraico/aramaico, mas que continuavam constantemente tendo contato com pessoas que usavam e falavam esses idiomas.41 Resumindo, pois, constatamos que (pelo menos à exceção dos textos em debate) não há proibição do uso de adornos em nenhum lugar da Bíblia e que há ampla descrição da existência e do uso desses entre o povo de Deus. Observamos, também, que a adição de certas palavras tem sido necessária, às vezes, em várias porções da Palavra, para que não haja distorções na mensagem de Deus. Provamos que existe a possibilidade de que Paulo e Pedro42 tenham utilizado a maneira semítica usual para enfatizar esse contraste entre o “adorno” físico e o espiritual. Vamos, agora, analisar outras interpretações desses textos, e observar o contexto geral das Escrituras sobre as questões do legalismo e da beleza, para concluirmos que o nosso entendimento da questão realmente se enquadra na intenção dos autores.
IX. ANÁLISE DE OUTRAS INTERPRETAÇÕES
A. Interpretações que Proíbem os Adornos Femininos
Os dois escritores do Novo Testamento poderiam realmente estar transmitindo uma nova orientação de Deus ou, talvez, uma orientação mais clara ou abrangente. Consequentemente, uma das marcas das mulheres participantes da Nova Aliança seria uma completa (ou quase completa) ausência de adornos e enfeites. Assim, os termos decência e modéstia (1 Tm 2.9) acabavam de ser melhor definidos.
Como já vimos, essa tem sido a conclusão de muitos teólogos e comentaristas desde os primeiros séculos da era cristã até aos dias de hoje.43 Outros procuram amenizar a aparente força das palavras de Paulo e Pedro observando que Paulo estava falando primariamente sobre as mulheres no culto e Pedro sobre as esposas, e assim sugerem que as diretrizes talvez se limitem aos dois ambientes citados.44
Alguns nutrem a noção de que Pedro e Paulo realmente estavam proibindo os adornos, mas que essas instruções dos apóstolos tratavam de situações restritas àquele tempo e portanto não são normativas para as mulheres cristãs dos séculos XX (e XXI).45 Para concluir, existem ainda aqueles que questionam tanto a própria autoria de Paulo e Pedro quanto a divina inspiração das suas cartas. Para esses que desconsideram a autoridade eterna da Palavra, não existe nenhuma dificuldade ou utilidade maior no texto além da avaliação do efeito histórico.46
B. Interpretações que Permitem (ou Toleram) os Adornos Femininos
Por outro lado, temos Kistemaker e outros que concluem que Paulo e Pedro não tinham a mínima intenção de fazer com que as mulheres se abstivessem do embelezamento pessoal, ou que andassem fora da moda, mas que não explicam como então ler o texto sem ignorá-lo. Ele escreve: “Pedro não diz que a mulher deve se abster dos adornos. Ele não proíbe o uso de cosméticos, nem o uso de trajes atraentes. A ênfase de Pedro não é na proibição mas num senso apropriado de valores.”47 Mas não explica! Hendriksen deixa um espaço aberto para os adornos externos quando traduz o início de 1 Timóteo 2.9 “que as mulheres se adornem com trajes de adorno com modéstia e bom senso…”, e completa: “É claro, portanto, que o apóstolo não condena o desejo da parte de moças e mulheres – um desejo criado nas suas almas por seu Criador – de se adornarem, de usarem de ‘bom gosto’.”48 Mas não explica!
Com relação à autoria e autoridade das epístolas, nos unimos àqueles que consideram que os ensinamentos desses textos bíblicos procedem realmente de Paulo e Pedro, sob a inspiração do Espírito Santo, e que continuam sendo normativos. Temos certeza, porém, de que eles não estavam iniciando uma nova fase na qual qualquer tipo de adorno era categoricamente proibido às mulheres tementes a Deus. Cremos que, realmente, estamos lidando com uma expressão idiomática semítica em ambos os textos, e que o adorno externo não estava sendo proibido. A seguir, citamos algumas razões.
X. UMA AVALIAÇÃO MAIS AMPLA
A. As Proibições não Condizem com os Outros Ensinamentos de
Paulo e Pedro
A proibição categórica contra os enfeites femininos não condiz com qualquer outro ensino registrado dos dois apóstolos. Em nenhum outro lugar, Paulo e Pedro proibiram ou exigiram qualquer ação ou atitude que não fosse ligada especificamente à ordem da criação ou à lei moral de Deus.49 Na mesma carta a Timóteo (4.1-5), Paulo já alertou contra aqueles que “proíbem o casamento,50 exigem abstinência de alimentos, que Deus criou para serem recebidos, com ações de graça, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graça, nada é recusável, porque pela palavra de Deus, e pela oração, é santificado.” Chegou a dizer que as pessoas que ensinam a prática do ascetismo terão apostatado da fé, por terem obedecido “a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (v.1).
1. O Perigo do Ascetismo e do Legalismo
Sob a orientação do Espírito (o Espírito afirma expressamente, 1 Tm 4.1), Paulo estava preparando os novos crentes para não se perderem num novo legalismo. Tanto os homens quanto as mulheres teriam que aprender a se preocupar primariamente com o espírito da lei – a lei do amor a Deus e ao próximo. Ele empreendeu uma campanha tremenda contra o legalismo dos judaizantes e contra aqueles que pretendiam introduzir ou impor o ascetismo (a auto-negação) na nova fé cristã. Romanos 14 ilustra muito bem a sua atitude. Falando sobre a questão de comidas oferecidas aos ídolos e da observação de dias, Paulo disse: “Eu estou persuadido no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura…. Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (vv.14, 17). Enquanto isso, no Concílio de Jerusalém, Pedro também lutou contra o legalismo judaico (At 15.7, 10).
2. A Liberdade Cristã
Em 1 Coríntios 8-10, Paulo trata do mesmo assunto: “Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (10.31).51 Colossenses 2.20 é muito forte:
Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: Não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens?… Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e falsa humildade, e rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade.
Na carta aos Gálatas, ele escreve: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais de novo a jugo de escravidão” (5.1). Na subseqüente lista das obras da carne (5.19-21), encontramos somente atitudes e ações diretamente proibidas na lei moral ou que implicam em uso exagerado de algo que é legítimo (como glutonarias).
Continuando com o raciocínio de Paulo, poderíamos parafrasear Romanos 14.3,13-23:
Tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão… Nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera… Quem usa adornos, para o senhor os usa, porque dá graças a Deus; e quem não usa adornos, para o senhor não os usa, e dá graças a Deus. Porque o reino de Deus não consiste de jóias, penteados, roupas chiques ou cosméticos, mas de justiça, e paz, e alegria no Espirito Santo… Quem usa adornos não despreze a que não usa; e a que não usa não julgue a que usa, porque Deus a acolheu… Seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros. Não destruas a obra de Deus por causa dos seus adornos… É bom não fazer qualquer coisa com que teu irmão venha a tropeçar (ou se ofender, ou se enfraquecer)… Bem-aventurada é aquela que não se condena naquilo que aprova. Mas aquela que tem dúvidas é condenada, se usar, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.
B. A Capacidade Humana de Apreciar a Beleza é um Dom Divino
1. A Percepção da Perfeição
Em segundo lugar, não devemos nos esquecer nunca de que foi Deus quem nos deu a capacidade de reconhecer, apreciar e desejar a beleza, como também de criá-la,52 ainda que de maneira imperfeita e finita. Faz parte da imagem de Deus em nós, distorcida pelo pecado, mas ainda existente nos seres que ele criou. É através da beleza, da perfeição e da precisão de sua criação que ele comunica a sua existência, personalidade e glória a nós, seres humanos (Salmo 19). E, apesar da nossa distorcida apreensão moral, ele continua nos dotando com os cinco sentidos, com os quais podemos e devemos perceber e nos encantar com a perfeição de cores e simetria, melodia e harmonia, fragrância e aroma, leveza e maciez, sabor e doçura. Somente os seres humanos têm essas percepções. Todas essas qualidades podem ser personificadas numa única mulher, especialmente quando ela desenvolve os dois lados do seu ser – completando e aperfeiçoando a sua formosura e elegância exterior com a graça e excelência do seu espírito interior.
2. A Percepção da Imperfeição
Também faz parte da imagem de Deus em nós a rejeição inata, pelos nossos sentidos, das coisas imperfeitas — desbotadas ou assimétricas, destoantes ou desarmoniosas, mal-cheirosas ou sufocantes, grosseiras ou ásperas, insípidas ou amargas. A imperfeição e deformação nunca foram obra nem desejo de Deus. São resultados do pecado, do trabalho de Satanás no mundo. Ele nos mutilou não somente na alma, mas também na nossa aparência. É raro não termos algo desproporcional, torto ou até feio em nosso rosto ou corpo. E quando, porventura, nascemos e crescemos belos, em pouco tempo o clima, as doenças, os vícios e a velhice começam a devastar a nossa beleza . Alguém filosofou que “começamos a morrer no dia em que nascemos.” Por isso, em Eclesiastes 12, Salomão alerta os jovens quanto à efemeridade da vida e à importância de dar valor ao seu relacionamento espiritual, descrevendo de maneira inesquecível e marcante a triste deterioração do corpo que acompanha o envelhecimento.
3. O valor da beleza na Bíblia
É interessante notar que Deus inspirou Moisés a registrar que as esposas amadas pelos três pais da fé — os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó — foram todas lindas. Sara era sobremaneira formosa ao ponto de ser cobiçada por reis, Rebeca mui formosa de aparência e Raquel formosa de porte e de semblante (Gn 12.14; 24.16; 29.17). Enquanto isso, Lia tinha os olhos baços e a diferença na beleza física é a única razão (registrada, pelo menos) para o fato de que Jacó amou mais a Raquel do que a Lia — a quem até desprezou (Gn 29.17, 30, 31). Deus também deixou registrada a importância e o impacto que a beleza física de mulheres, esposas e noivas teve nos reis, como Davi e Salomão (1 Sm 25.3; 2 Sm 11.2; 1 Rs 11; Ct 1.10). Tudo concorre para indicar que os homens realmente refletem a capacidade divina de apreciar a harmonia e a estética da beleza externa e, também, que tendem a procurar e apreciar companheiras belas.53
Na sua palavra, Deus usa o contraste entre a perfeição e a imperfeição física, tanto a estética quanto a corpórea, para ilustrar não somente a miséria do nosso pecado mas especialmente a beleza da nossa restauração espiritual. Já vimos a passagem em Ezequiel 16 em que Deus descreve como ele vestiu e adornou a mulher representando Judá, e como ele a deixou feia e nua por causa do seu pecado. E Paulo foi divinamente inspirado, na sua carta aos Efésios, a comparar a igreja que Cristo está preparando para si à maneira como muitas mulheres sonham ser na sua aparência externa, e que muitos homens almejam encontrar nas suas companheiras54 — “gloriosa, sem mácula, sem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5.27).
4. Roupas práticas, ou bonitas também?
Existe, portanto, na mente humana, a capacidade de imaginar e reconhecer a aparência ideal, bela ou perfeita. A aparência agradável, porém, é atingível numa infinita variedade de combinações por causa da criatividade do nosso Deus. Visualizamos essa criatividade não somente nos seres humanos mas também no resto da criação. É Jesus quem chama a nossa atenção para a beleza das flores no campo, falando, curiosamente, sobre a nossa preocupação com o que vestimos (Mt 6.28-30):
E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?
Jesus diz que podemos confiar em Deus para providenciar tudo que precisamos, inclusive as roupas. E ele nem nos leva a refletir sobre a utilidade dos nossos trajes no sentido óbvio e esperado de proteção contra nudez, calor e frio.55 Em vez disso, ele fala da beleza das flores – uma beleza tão grande que tira o fôlego de qualquer um que realmente pára com o propósito de olhá-las, tanto de perto quanto de longe. E ele nos pergunta quanto mais não deveríamos esperar daquele que veste assim as flores que são tão transitórias e tão insignificantes em termos de valor real.
5. A Superioridade da Beleza Interior
Deus, portanto, criou e permite a beleza do universo e da humanidade. Faz parte da nossa natureza apreciá-la e querer estar na presença dela. Mas, muitas vezes, nós não a temos por completo e nem temos acesso a todos os recursos necessários para alcançá-la. Quando, porém, somos filhos de Deus, começamos a compreender que não foi apenas a beleza externa que foi corrompida pelo pecado. O nosso espírito — a nossa personalidade, o nosso caráter, as nossas atitudes — tudo ficou horrivelmente desfigurado com a queda de Adão e Eva. Isso afetou os nossos relacionamentos — tanto o vertical quanto os horizontais. A nossa redenção, a nossa volta à perfeição, começa internamente quando confessamos Jesus como nosso Salvador e Senhor. Deus espera que a nossa maior preocupação agora seja com o desenvolvimento e a expressão do nosso lado espiritual – o homem interior do coração demonstrando a sua piedade pelas boas obras (1 Pe 3.4: 1 Tm 2.10). O crescimento espiritual faz com que, apesar de sermos muito mais sensíveis à beleza que pode ser encontrada em tantas coisas e seres que nos cercam, somos capazes de apreciá-la sem fazer questão de tê-la. O ter e o aparecer não têm mais a mesma importância, exceto quando nos são úteis em nosso serviço ao nosso precioso Deus. E o mais maravilhoso de tudo é que ainda que a beleza externa humana não exista ou se desvaneça com o passar do tempo, a beleza interna pode crescer e dar expressão agradável ao corpo.
XI. O ADORNO DAS “MULHERES PIEDOSAS”
A. As Exortações de Paulo
Existia muita oposição entre os gregos aos seguidores do “Caminho.” Os gregos que se mantinham através dos negócios que envolviam o culto aos ídolos se viam ameaçados com a pregação da adoração a um único Deus (At 19.23-26). Os judeus não queriam aceitar Jesus como o Messias e consideravam a pregação paulina como blasfêmia.56 As mulheres romanas nas novas igrejas, estariam sendo coagidas por seus conterrâneos a prestarem culto também ao imperador Nero.57 Em meio a tantas dificuldades, quando muitas estavam sendo hostilizadas por suas próprias famílias e comunidades, elas necessitavam desesperadamente de união espiritual.
Em vez disso, pode ser que Paulo estivesse notando que certas irmãs estavam fazendo com que as outras se sentissem desprezadas. Já que elas estavam acostumadas a se arrumar quando iam para algum lugar importante (acontecimento talvez raro na vida de muitas delas), agora estavam querendo levar essa prática para as reuniões semanais (e, às vezes, diárias) da igreja. Afinal, a sua fé agora era a coisa principal nas suas vidas. Enquanto algumas tinham que usar roupas e adereços bem simples por força de tradição ou de pobreza, outras estavam chegando aos cultos totalmente “produzidas” conforme o estilo da época, tendo gasto tempo e dinheiro, dos quais as outras não dispunham, com seus penteados, roupas e jóias. Possivelmente, os cultos em alguns lugares estavam começando a parecer desfiles de moda! E isso poderia levar àquela acepção de pessoas tão condenada anteriormente pelo apóstolo Tiago quando ele alertou contra a tendência que havia no ser humano de tratar com deferência àquela pessoa que andava “com anéis de ouro nos dedos, em trajes de luxo” e desprezar o “pobre andrajoso” que também havia entrado para participar dos cultos (Tg 2.1-2). Em vez de gastarem os seus esforços na demonstração de amor, bondade, generosidade e compaixão, algumas irmãs estariam ficando orgulhosas, vaidosas, invejosas, insensíveis. Outras não respeitavam mais a opinião dos seus familiares e irmãos com relação àquilo que seria decente ou modesto. Não queriam abrir mão da vontade e prazer de ter status aos olhos das pessoas que lhes cercavam. Estava sendo difícil compreender que a sua liberdade cristã terminava logo que ela afetava o bem-estar de outras pessoas.
Paulo queria que elas entendessem que havia tempo e lugar para tudo. Isso não significava que as mulheres ricas tinham que andar com roupas de pobre ou alisar os cabelos toda vez que iam aos cultos.58 Também não seriam obrigadas a prender os cabelos e os vestidos com enfeites de qualidade inferior. Simplesmente, era necessário que entendessem que elas tinham que parar de ser vaidosas. Não deviam estar se preocupando com luxo e ostentação, enquanto deixavam passar as oportunidades para servir a Deus e à comunidade cristã com boas obras.
Da mesma forma, as mulheres tinham que respeitar não somente as suas irmãs em Cristo, mas também os irmãos presentes nos cultos, tanto os solteiros quanto os casados ou viúvos. Tinham que vestir-se “em traje decente,…com modéstia e bom senso” (1 Tm 2.9).59 Nada na sua aparência deveria desviar o pensamento dos irmãos (nem dos pastores) nem causar-lhes desconforto ou incômodo.
B. As Exortações de Pedro
Pedro, por outro lado, falou especificamente às esposas, judias e gentias. Algumas, com certeza, eram esposas ou filhas de pessoas que lidavam com produtos para o adorno. É interessante observar que o conselho sobre o exagero no adorno das esposas faz parte duma exortação sobre como “ganhar o seu marido descrente para Cristo.” Ele começou dizendo (1 Pe 3.1-2):
Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vossos próprios maridos, para que, se alguns deles ainda não obedecem à palavra, sejam ganhos, sem palavra alguma, por meio do procedimento de suas esposas, ao observarem o vosso honesto comportamento cheio de temor.
Para muitas mulheres gentias, convivendo com a realidade da época em que era comum e aceito um homem ter uma amante e freqüentar casas de prostituição,60 Pedro estava abrindo (e não diminuindo) o leque de possibilidades para elas ganharem os seus maridos, não somente para Cristo, mas também para si. Elas poderiam aumentar ou completar a sua beleza, esforçando-se para adornar a sua alma, sendo submissas aos maridos e tendo um comportamento honesto. Ao desenvolver um espírito manso e tranqüilo no seu lidar diário com esses homens, bons ou ruins, crentes ou descrentes, elas poderiam esperar em Deus pelo resultado, sem temer perturbação alguma.
Todas poderiam tirar ânimo de Sara, que fez isso quando seu marido, Abraão, resolveu (duas vezes) não esperar em Deus e entregá-la aos caprichos de homens perversos e pervertidos (Gn 12.10-20 e Gn 20).61 Pedro não ensinou aqui que elas deveriam se descuidar da aparência e arriscar a perda do amor ou do respeito dos seus maridos. Nada disso. Nem elas deveriam jogar fora os seus vestidos bonitos e suas jóias, insistindo com seus maridos que não mais podiam acompanhá-los aos jantares sociais. Elas ainda podiam e deviam enfeitar-se com o propósito de agradar os seus esposos, mas não para se ostentar a despeito da opinião deles. Pedro insistiu, não que o aspecto exterior devesse ser negligenciado, mas que agora o desenvolvimento do seu caráter, e o agradar aos seus maridos, deveria ser item prioritário nas suas vidas e fazer com que elas alcançassem uma beleza mais completa, duradoura e satisfatória.
Pode ter sido também que algumas mulheres estivessem enlouquecendo seus esposos com a sua insistência em seguir a moda. Tinham que ter mais e mais dinheiro para comprar novos tecidos e jóias e, em vez de cuidarem das suas casas e famílias, gastavam seu tempo preparando e mantendo seus penteados e aparência. Seria realmente difícil para um marido daquele tempo dormir ao lado duma mulher tentando preservar um penteado igual a alguns que vemos nas estátuas da época! Podemos imaginar algum marido irado se queixando a Pedro sobre a sua experiência nesse sentido. Algumas simplesmente não estavam ligando mais para a opinião dos seus cônjuges, talvez por achar que não tinham mais autoridade por não serem crentes. Além disso, Pedro estava alertando-as de que as perseguições já em andamento iriam aumentar (com as perseguições de Nero, ver 1 Pe 4.12-19). Se elas se prendessem demais aos seus adornos e à sua posição social, não estariam prontas para renunciar a tudo por amor a Deus, na hora da provação.
CONCLUSÕES
A. A Mulher Cristã Pode se Enfeitar
Concluímos, então, que a Bíblia não apoia a proibição absoluta aos adornos femininos, nem nas duas passagens em questão e nem em qualquer outro lugar. Vimos que existem outras passagens que contêm comparações ou contrastes que necessitam receber uma leitura alternativa por representarem expressões idiomáticas semíticas. Examinamos as outras passagens sobre adornos e comprovamos que não contêm condenação. Verificamos o repúdio bíblico ao ascetismo e ao legalismo. Confirmamos que a apreciação do belo é algo que nos é dado por Deus. Percebemos que uma proibição não é compatível com o espírito e o exemplo de Paulo e Pedro. Assim sendo, podemos inferir que, nos textos principais examinados, realmente estamos lidando com uma peculiaridade de expressão idiomática-cultural, no contraste traçado entre os adornos exterior e interior, sem receio nenhum de estarmos torcendo a intenção das palavras inspiradas dos apóstolos.
B. A Beleza do Espírito Deve Ultrapassar a Beleza do Corpo
Mas não podemos nos empolgar demais com essa descoberta e esquecer que a parte mais importante (o “especialmente” ou o “muito mais”) de ambos os versículos da controvérsia se encontra na outra metade. Há dois tipos de adornos, sim. Estabelecemos que não podemos dizer que um tipo está errado e o outro certo. Mas o contraste continua existindo, e esse contraste é entre uma beleza exterior e uma beleza interior ou entre um adorno inferior e um adorno muito superior. Todavia, não é interditando o primeiro que iremos chegar à plena realização do segundo.
C. Equilibrando as Duas Belezas
O nosso entendimento não deve, portanto, parar aqui, pois é exatamente esta compreensão (que a beleza interior é infinitamente superior à exterior) que torna uma comunidade cristã tão especial. Pessoas fisicamente feias ou deformadas são sinceramente respeitadas e amadas por seu caráter, dons e atitudes. Há lugar para todos. Não é preciso ser bonito, rico, elegantemente vestido ou adornado para ter aceitação entre nós.
Por outro lado, a beleza externa pode ser promovida e utilizada para glorificar a Deus, sempre dentro do contexto das palavras de Pedro — com decência, modéstia e bom senso. A beleza natural pode ser realçada, os defeitos ocultados, as marcas do tempo atenuadas, as gorduras e celulites combatidas, as roupas serem modernas, elegantes e combinadas. Mas quando a mulher que se diz cristã gasta mais tempo, dinheiro e esforço com a sua aparência física de que com o desenvolvimento do “fruto do espírito” (como a mansidão e a tranqüilidade que Pedro cita), algo está muito errado!
D. O Desafio Continua
Agora que conhecemos a situação das mulheres que receberam as orientações de Paulo e de Pedro sobre os seus adornos, penso que podemos nos identificar muito melhor com elas e aplicar as lições que elas tiveram que aprender às nossas vidas também. Sentadas nos bancos das nossas igrejas brasileiras, há uma diversidade igualmente grande de mulheres e moças. Somos pobres, ricas ou de classe média… Somos analfabetas, letradas, empregadas, patroas, profissionais, donas de casa… Somos solteiras, divorciadas, casadas, viúvas… Somos morenas, indígenas, brancas, orientais… Somos nordestinas, nortistas, paulistas, cariocas, gaúchas, estrangeiras… Algumas são crentes novas, enquanto outras cresceram na fé. Várias têm que conviver com maridos ou parentes descrentes. Juntas, temos oportunidades incríveis para mostrar e sentir amor e tolerância de maneiras inéditas e preciosas.
Como elas, vivemos numa sociedade onde há leis mas nem sempre a justiça está ao alcance de todos. Podemos gastar o nosso tempo e dinheiro ajudando e aliviando os irmãos que não conseguem aquilo que deveria ser seu direito. O nosso mundo, como o delas, está cheio de oportunidades para servir a Deus. Bem presente em nosso meio, também, está a falta de valorização da vida humana demonstrada na violência nas ruas e nos lares das nossas cidades. Agora, como então, precisamos nos engajar na pregação e no ensino das verdades bíblicas para que possa ser revertida essa situação lamentável em nosso país, através de vidas transformadas para a glória de Deus!
Do mesmo modo, algumas pessoas que não tem nada a ver conosco, como as mulheres romanas na Ásia Menor, ditam o corte dos nossos cabelos, o comprimento, a cor e a marca das nossas roupas e até o formato aceitável das nossas bijuterias, cintos e sapatos. Status, auto-estima e aceitação para muitas mulheres estão diretamente ligados aos caprichos dessa minoria. Querem mandar em cada pormenor do nosso visual, e fazem com que nós nos sintamos culpadas e incompletas quando algo em nós ou em nossas filhas não está em conformidade com os modismos da época. Da mesma forma que as asiáticas sob a pax romana, estamos começando a gozar de estabilidade econômica, com uma crescente oferta de produtos e serviços nacionais e importados destinados a melhorar o nosso exterior.
E. O Nosso Desafio é Maior
Nem tudo é igual, entretanto. Antigamente, não existiam os meios de comunicação dos quais desfrutamos hoje em dia. Os convites e as oportunidades para o embelezamento eram mais infreqüentes. Atualmente, o fascínio com a aparência externa é generalizado numa sociedade que maximiza a realização pessoal e a “perfeição” do corpo humano duma maneira nunca vista antes. Somos bombardeados por todos os lados. Até nas filas dos supermercados, os nossos olhos caem nas capas das revistas e objetos colocados estrategicamente para nos chamar a atenção. Somos convidados a partilhar dos segredos de beleza e da forma física de alguma atriz ou personagem televisiva, ou a experimentar o mais novo produto para disfarçar ou eliminar algo em nós que sabemos não ser atraente. Confusas, corremos de um produto para outro, enchendo os nossos armários com um sem número de frascos e potes rejeitados quando ainda quase cheios, sem coragem de colocá-los no lixo, pois isso confirmaria a nossa sensação de ter jogado dinheiro fora. Quando finalmente resolvemos comprar uma roupa ou um sapato para a nossa filha, ficamos estarrecidas em saber um mês depois que “ninguém mais usa isso, mãe!” É preciso, com certeza, muita sabedoria (e oração) para estabelecer os limites entre o necessário e o supérfluo e para saber quando, e o que, comprar ou fazer. Temos que ser cristãs criteriosas, exercendo bem a liberdade de escolha pela qual Paulo tanto lutou.
F. Corpo e Alma – a Serviço do Criador da Beleza
Quando realmente nos conscientizarmos de que existem valores superiores e que o nosso tempo e dinheiro são preciosas dádivas de Deus, daremos menos importância àqueles detalhes do nosso aspecto exterior que não podemos ou que talvez não devemos modificar, seja por razões financeiras, circunstanciais ou espirituais. Não conseguiremos mais passar horas a fio com cabeleireiros, manicuras ou em academias lutando unicamente para embelezar o nosso corpo enquanto muitos sofrem e morrem ao nosso redor. Mesmo assim, conseguiremos ser realmente lindas, felizes e realizadas com o desenvolvimento do nosso “adorno” interior — mesmo sendo imperfeitas, envelhecidas ou desgastadas externamente — se estivermos estudando e vivendo de acordo com o manual que o Criador da beleza nos deu para indicar e iluminar o caminho daqueles que o amam. Em contraste com muitas das nossas irmãs do passado, temos à nossa disposição não somente a Bíblia inteira como também acesso a inúmeras pessoas, cursos, livros e periódicos capazes de nos facilitar o crescimento espiritual.
De Paulo e Pedro aprendemos que não devemos deixar que haja luxo ou ostentação em nossa aparência que possa afastar ou entristecer alguma irmã. Não vamos gastar as nossas horas e economias para satisfazer apenas a nossa própria vaidade. Devemos ser modestas e decentes e assim não iremos prejudicar ou tentar os nossos colegas masculinos de trabalho ou de escola, ou os nossos irmãos e pastores na igreja, evitando o vestir e adornar a nós mesmas com o propósito de sermos “sexy” ou sensuais. Dediquemos os nossos corpos, inteiramente, ao Deus que nos deu propósito de vida e valor intrínseco e eterno. Usemos esses mesmos corpos para externar uma personalidade transformada por ele, com todas as qualidades que uma filha dele pode ter. Sejamos verdadeiras filhas de Sara (1 Pe 3.6), tendo o privilégio e a obrigação de procurar e complementar duas belezas legítimas enquanto nos esforçamos para cumprir a nossa missão terrena da melhor maneira possível, em gratidão àquele que nos “chamou das trevas para sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.11).
“Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1 Co 6.19-20).
English Abstract
In this article, the author deals with the two portions of Scripture (1 Tm 2 and 1 Pe 3) that seem to specifically forbid external adornment for women. She points out the importance of a proper interpretation of these passages since both exhortations are woven into apostolic instructions as to the roles of men and women in worship and in the home. Therefore, if Christians are led to believe that God does not really forbid women to beautify their outward appearance (without scriptural substantiation for this deduction) then the next logical conclusion is that God perhaps does not mean what the texts appear to say about male leadership. Mrs. Portela proceeds to review the places in Scripture where adornments appear, pointing out their customary use by God´s servants and even by the Creator himself when he wished to illustrate the extent of his love for his people. Subsequently, she points out that in many places in Scripture, the inspired writers and speakers used the usual Semitic manner of comparing and contrasting in which a negative is used but not understood (v.g., Genesis 45.4,8 and Luke 14.12). This may be applied to the verses in debate so that the affirmations become a contrast between an inferior and a superior adornment rather between one that is forbidden and another that is acceptable. She continues by pointing out that a specific prohibition of women’s adornment does not fit in with the teachings of Paul and Peter, for they severely criticize and combat any form of legalism or asceticism. Furthermore, she establishes that the capacity to recognize, appreciate and desire beauty through the five senses continues to be a gift from God. She concludes that the apostles were not prohibiting external adornment but were warning against ostentation, immodesty and indecency. They were encouraging a perspective which only those who love God can have, in which the concern for the outward appearance becomes secondary to the development of the much more lovely and enduring fruit of the spirit — the inner adornment — of good works and considerate relationships, both within the home and in the church.
NOTAS
1 A pesquisa inicial que resultou neste ensaio atendeu a uma necessidade real e não meramente acadêmica. Foi em resposta a um pedido de socorro de uma amiga a respeito desse assunto. Ela considerava-se uma crente fiel e era supervisora entusiasmada de um grande número de vendedoras de cosméticos. Depois de anos de oração pela conversão do marido, Deus concedeu o seu pedido. Ele aceitou a Cristo com muita alegria e acolheu com entusiasmo as doutrinas da igreja na qual se converteu. Foi então que surgiu entre eles um desentendimento maior do que qualquer um anterior à sua conversão. Com a Bíblia na mão, ele começou a sugerir que ela deixasse a sua profissão e que ela mesma parasse de usar os seus cosméticos, como também as bijuterias, as calças compridas… Chorando, ela nos telefonou, querendo saber se ele tinha mesmo razão na sua interpretação.
2 2 Reis 9.30. Jezabel, mulher extremamente má, se pintou em volta dos olhos, enfeitou a cabeça… e foi jogada da janela pelos seus próprios servos.
3 Exemplos: A. Maude Royden, The Church and Woman (Nova York: George H. Doran, 1925?); Ruben Duffles Andrade, A Mulher na Igreja (São Paulo, 1995) – manuscrito não publicado; Zélia Fávero Maranhão, O Erro Monumental da Igreja Cristã (São Paulo, 1994).
4 Os mesmos homens merecem tremendo respeito e a eterna gratidão de todos na igreja cristã por seus esforços em outras áreas e até pelo desenvolvimento correto da perspectiva bíblica sobre os papéis distintos do homem e da mulher na igreja e no lar. Mas, ao tentar responder à amiga que solicitou o ponto de vista bíblico sobre adornos, foi muito frustrante verificar, enquanto pesquisava, que os comentaristas mais conceituados do passado (e alguns do presente) nunca tentam explicar os textos considerando um possível interesse feminino no assunto. Eles acatam as aparentes proibições friamente e depois passam páginas inteiras explicando o significado de modéstia, decência e, especialmente, submissão. Não preparam os pastores, que procuram compreender as passagens pela leitura dos seus comentários, para responder às “Priscilas” nas suas igrejas que são capazes de compreensões e deduções teológicas e que perguntam, por exemplo, sobre as outras passagens que falam sobre adornos. O tratamento antigo mais caridoso encontrado foi de Barnes (1798-1870). Ver Albert Barnes, Barnes’ Notes on the Old and New Testaments: Psalms (Grand Rapids: Baker Book House, 1964), 1135, 1415.
5 John Piper e Wayne Grudem, Homem e Mulher (São José dos Campos: Editora Fiel, 1996), 14-19. Esse livro tem um excelente tratamento sobre a perspectiva bíblica da masculinidade e da feminilidade, apontando também muitas coisas que a masculinidade madura não devem significar.
6 Os homens devem ter consideração para com as mulheres, tratando-as com dignidade como herdeiras da mesma graça (1 Pe 3.7).
7 Filo, As Leis Especiais, I, 201 (ênfase minha).
8 Talmude, Menahoth 43-44. Não temos certeza se os judeus já estavam orando assim nessa época, mas a oração não destoa dos seus outros ensinamentos (extra-bíblicos) a respeito de mulheres.
9 “Temple, Jerusalem,” em The Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible (Grand Rapids: Zondervan, 1975), V, 650.
10 “Potinhos e apetrechos para pintar o rosto, feitos de osso, marfim ou metal, assim com espátulas para espalhar cosméticos” estão entre os objetos mais encontrados nas escavações arqueológicas dessa época na Palestina, evidência de que eram usados regularmente pelas mulheres judias. Ver Henri Daniel-Rops, A Vida Diária nos Tempos de Jesus (São Paulo: Vida Nova, 1986), 197-198. No mesmo trecho, Daniel-Rops conta que no tratado Shabbath do Talmude (c. 35 DC), a norma “mais desagradável para as mulheres era com certeza aquela que impedia que trançassem, encrespassem ou pusessem fitas e ornamentos no cabelo no dia de descanso” (adornar-se era considerado “trabalho” – outra indicação de que era permitido em outros dias e ocasiões).
11 Tertuliano, O Véu das Virgens, Cap. 12.
12 Cipriano, A Vestimenta das Virgens, Cap. 12. No Cap. 8, ele cita as passagens em debate.
13 Jerônimo, Carta 54, 7.
14 Sem entrar em pormenores, partimos do ponto de vista de muitos expositores conceituados (Hendriksen, Tenney, Machen, Ryrie, Lenski, Guthrie, Grudem…) de que Pedro e Paulo foram os autores de 1 Pedro e 1 Timóteo. Também que Pedro mandou a sua carta de Roma e que Paulo escreveu a sua para Timóteo talvez da Macedônia, antes de ser preso e levado a Roma pela segunda vez. Isso explica por que Lucas, no livro de Atos, não se refere à presença de Pedro em Roma e por que Pedro não menciona Paulo juntamente com as saudações de Marcos (1 Pe 5.13).
15 1 Timóteo 1.3. Ver C.C. Ryrie, A Bíblia Anotada (São Paulo: Mundo Cristão, 1994), 1515.
16 A mãe, duas esposas e várias mulheres que recusaram os seus avanços – ou os maridos delas – foram forçadas a cometer suicídio ou morreram envenenadas ou pela violência de Nero. Suetônio, Vida dos Doze Césares: Nero, 32-37. O historiador Suetônio (c. 70-130 DC) é uma das fontes mais citadas sobre a vida de Nero. A outra é Tácito (c. 55-117 DC).
17 Além de ser cidadão romano era preciso, muitas vezes, ser rico, famoso ou poderoso e viver agradando os caprichos dos governantes para poder ter os direitos defendidos num tribunal. Até uma leitura superficial dos escritos de Tácito e Suetônio impressiona pela quantidade de pessoas ilustres que foram forçadas a se suicidar por Nero, inclusive o estadista e filosofo estóico Sêneca (Tácito, Anais, V, 60-64).
18 Edith Hamilton, The Roman Way to Western Civilization (Nova York: Mentor Books, 1959), 110-111. “A engenhosidade humana em inventar novos e mais divertidos tipos de carnificina finalmente se esgotou e o único recurso que sobrou para agradar os espectadores impacientes foi aumentar o número de participantes”.
19 Suetônio, Doze Césares, VI, Nero, 38; Tácito, Anais, XV, 38-44.
20 De acordo com o historiador Eusébio, Pedro foi crucificado de cabeça para baixo e Paulo decapitado. Zondervan Pictorial Encyclopedia, V. 4, “Paul, the Apostle,” 654; “Peter, Simon”, 739.
21 Suetônio, Doze Césares: Nero, 30.
22 Não incluídas estavam a Lícia, a Panfília e a Cilícia. Encyclopaedia Britannica (Chicago: Encyclopaedia Britannica, 1971), V. 2, “Asia Minor,” 605.
23 Zondervan Pictorial Encyclopedia, V. 1, “Asia,” 364.
24 Funk & Wagnalls New Encyclopedia (Nova York: Funk & Wagnalls, 1979), V. 20, “Renaissance,” 220. Hamilton diz (nos anos 30): “A nossa era mecânica e industrial é a única realização que pode ser comparada às da Roma durante os 2000 anos que se passaram.” Roman Way, 151.
25 Como Homero e Heródoto, Esopo, Hipócrates e Galeno, Asclepíades, Pitágoras, Hipodamus de Mileto, observação substanciada em extensa pesquisa da autora.
26 Exemplos: a Vênus de Milo, o Gaulês Moribundo e a Nike de Samotrácia. Enciclopédia Britânica, V. 10, “Greek Art,” 848.
27 Eram o Templo de Ártemis em Éfeso, o Colosso de Rodes e o Mausoléu de Halicarnasso. Funk & Wagnalls, V. 21, “Seven Wonders of the Ancient World,” 270.
28 Zondervan Pictorial Encyclopedia, V. 3, “Lystra,” 1015.
29 Zondervan Pictorial Encyclopedia, V. 1, “Aquila and Priscilla,” 232; Michael Green, Evangelism in the Early Church (Grand Rapids: Eerdmans, 1970), 222-3.
30 Zondervan Pictorial Encyclopedia, V. 1, “Apphia,” 227; William Hendriksen, Colossians and Philemon (Grand Rapids: Baker, 1964), 193.
31 Enciclopédia Britânica, V. 19, “Roman History: II. The Empire,” 536 cita a opinião do famoso historiador Edward Gibbon de que a humanidade nunca foi mais feliz do que nesse período.
32 Zondervan Pictorial Encyclopedia, V. 1, “Cloth,” 893; V. 5, “Thyatira,” 743.
33 Funk & Wagnalls, V. 8, “Embroidery,” 492.
34 O governador romano Pôncio Pilatos foi morar na Palestina acompanhado por sua esposa (Mt 27.19) e Germânico, avô do imperador Nero, sempre esteve acompanhado pela esposa (e filhos) em todas as suas campanhas militares, inclusive na Ásia Menor (Tácito, Anais, Livro I, 40; Livro II, 54).
35 Algumas eram judias cristãs recém-chegadas após terem sofrido violentas perseguições pelos seus conterrâneos na Palestina que rejeitavam a nova “seita”. Estavam tendo que conviver com línguas e costumes novos e estranhos e, enquanto as mais velhas provavelmente zelavam pelas tradições antigas, as mais novas estariam sendo tentadas a assimilar as novidades do seu lar atual. Mas, como vimos (nota 10), elas tinham as suas roupas bonitas, jóias e cosméticos.
36 Green, Evangelism in the Early Church, 118-119.
37 Por exemplo: Êxodo 29 e Levítico 22.
38 Ralph Woodrow, Women’s Adornment: What Does the Bible Really Say? (Riverside, CA: R. Woodrow, 1976), 17.
39 I. Howard Marshall, The Gospel of Luke: A Commentary on the Greek Text, The New International Greek Testament Commentary (Grand Rapids: Eerdmans, 1978), 583. Comentando uma outra passagem (Lc 10.20), na qual Jesus falou aos setenta discípulos que voltaram alegres porque os demônios estavam sendo expulsos por eles, dizendo “Alegrai-vos, não porque os espíritos vos submetem, e, sim, porque os vossos nomes estão arrolados nos céus,” ele esclarece: “O que foi dito provavelmente deve ser interpretado em termos de uma expressão idiomática semítica que significa, ‘Não vos alegreis primariamente porque… mas muito mais porque…’ (ver ainda 12.4; 14.12; 23.28; Jr 7.22; Os 6.6; 1 Co 1.17; Mt 10.20; Mc 9.37; Jo 7.16; 12.44)”. Outro autor fala de semitismos no uso de antônimos referindo-se a Mt 10.37 e Lc 14.26 — Walter C. Kaiser, Jr., Towards Old Testament Ethics (Grand Rapids: Zondervan, 1983), 252. Podemos considerar, portanto, que existem negativos de exclusão e negativos de priorização, cuja identificação é extremamente importante para o correto entendimento do texto.
40 Barnes, Notes on the Old and New Testaments: Psalms, 90.
41 Na nossa própria experiência, como filha de pais holandeses radicados no Canadá depois de adultos, temos verificado a persistência de construções gramaticais características da língua holandesa no modo de expressar-se da geração imigrante, ainda após trinta, quarenta ou até cinqüenta anos de familiaridade com a língua inglesa, especialmente por aqueles que continuam convivendo nas igrejas reformadas de origem holandesa.
42 H.D.M. Spence e Joseph S. Exell, eds., The Pulpit Commentary, V. 22 (Grand Rapids: Eerdmans, 1980), 129, comentam sobre 1 Pedro 3.3 dizendo que Pedro estava utilizando um “hebraismo comum”. Woodrow, Women´s Adornment, fala de “Hebrew idiom” — uma “expressão idiomática hebraica.” Preferimos a terminologia de Marshall (nota 14), que se refere a uma “expressão idiomática semítica,” por ser mais ampla, já que estamos tratando do hebraico e do aramaico.
43 Josué A. de Oliveira, A Mulher nos Planos de Deus (São Paulo: Cultura Cristã, 1989), 96-123. Gordon D. Fee, Novo Comentário Bíblico Contemporâneo, 1 e 2 Timóteo, Tito (Deerfield, FL: Editora Vida, 1994), 81. “Há grande agregado de evidências, tanto helenísticas quanto judaicas, que fazem os ‘vestidos dispendiosos’ das mulheres eqüivaler à leviandade sexual, ou à insubordinação conjugal”. Ele cita uma frase antiga: “Uma esposa que gosta de adorno não é fiel.” Sextus, 513.
44 Exemplo: J.N.D. Kelly, I e II Timóteo e Tito: Introdução e Comentário (São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1963), 69.
45 Ver Nota 3.
46 A.T. Hanson, The Pastoral Epistles: New Century Commentary (Grand Rapids: Eerdmans, 1982), 6-7, duvida da autoria de Paulo.
47 Simon J. Kistemaker, New Testament Commentaries: Exposition of the Epistles of Peter (Grand Rapids: Baker, 1987), 120. George H. Cramer, First and Second Peter (Chicago: Moody Press, 1967), 47, e H. A. Ironside, Timothy, Titus and Philemon (Neptune, NJ: Loizeux Bros, 1947), 66, e muitos outros, especialmente os que comentam ao nível de leigos, declaram impossível a proibição de adornos; também senhoras consagradas como Eugenia Price, De Mulher para Mulher (São Paulo: Mundo Cristão, 1987), 69.
48 William Hendriksen, I-II Timothy and Titus (Grand Rapids: Baker, 1972), 105-106.
49 Com uma exceção que pode ser explicada. No primeiro concílio eclesiástico da igreja nascente (Atos 15), os apóstolos reunidos em Jerusalém incluem a abstenção das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue e da carne de animais sufocados nas suas orientações aos gentios recém-convertidos (v. 29). Paulo, posteriormente, partindo da realidade vivida nos países fora da Palestina onde era extremamente difícil verificar se algo havia sido sacrificado a ídolos antes de ser vendido, reavalia a situação e dá novas orientações (Rm 14). Van Groningen diz que essa passagem de Atos 15 representa “uma aplicação temporária de uma verdade moral e perpétua a uma igreja numa situação histórica específica e temporária”. G. Van Groningen, The Sabbath Sunday Problem (Geelong, Australia: Hilltop Press, 1968), 15.
50 A maioria dos subseqüentes Pais da Igreja durante os primeiros séculos teve problemas em seguir esse preceito. O dualismo grego já anteriormente adotado pelos judeus helenísticos, em que o corpo representava o maligno e o espírito o divino, lhes era muito atraente. Tertuliano (c. 150-220 DC) disse que Paulo ensinou que era “‘BOM que o homem não toque mulher.’ Segue que o MAL consiste em tocá-la, pois não há nada contrário ao bom além do mal” (Sobre Monogamia, Capítulo 3). A falta de continência que resultava em casamento era para ele uma “enfermidade” tolerada mas não aprovada por Deus. Cipriano (c. 250 DC) concluiu que a recompensa celestial das virgens era altíssima (sessenta por um – superada apenas pela dos mártires – cem por um), pois o dom da continência era ensinado por Paulo, e a virgindade enaltecida (A Vestimenta das Virgens, 21,4). Essa atitude levava, automaticamente, à condenação total do uso de adornos – já que esses fariam a mulher mais atraente e levariam a situações de tentação (Ibid., Capítulo 5). Os Pais da Igreja gastaram muito mais tinta e papel com recomendações às virgens do que para as esposas, pois, para a maioria deles, essas já se encontravam num estado espiritual de segunda categoria.
51 Machen diz, “O problema básico da conduta cristã é como aplicar os princípios elevados do evangelho à rotina da vida diária. Não é possível resolver detalhadamente esse problema para homem nenhum, pois os detalhes da vida são de uma variedade infindável; mas o método para a solução está em 1 Coríntios. J. Gresham Machen, The New Testament: An Introduction to its Literature and History (Edimburgo: Banner of Truth, 1976), 132.
52 Hendriksen, I-II Timothy and Titus, 106.
53 É verdade que houve complicações sérias nas vidas de todos eles por causa da importância extremada dada à beleza externa, por eles ou pelos outros. Não havia nesses casos a apreciação apropriada da beleza interior que Paulo e Pedro tanto destacaram nos seus textos, e eles sofreram as conseqüências. Destacamos, porém, que o homem não mudou, e que continua sendo natural ele apreciar a beleza externa nas representantes do sexo feminino. Esse fato se faz importante ao avaliarmos a legitimidade dos adornos femininos.
54 Por mais que homens crentes sejam consagrados a Deus e prontos para seguir a sua liderança na escolha da sua esposa, é a minha opinião que não há dúvida que eles primeiro olham as moças formosas de porte e de semblante (como Raquel em Gn 29.17). Eu mesma tenho 99% de certeza que meu próprio marido (que já se destacava pela fidelidade a Deus e que recebeu dele uma apreciação muito especial pela ordem, lógica, simetria e beleza da criação) não teria procurado conhecer e namorar uma estrangeira do outro lado do mundo se ela não lhe chamasse primeiro a atenção pela aparência externa que Deus permitiu que tivesse naquela época. (E o mesmo foi verdade para mim. É o Senhor Deus que vê primeiro o coração, mas o homem enxerga primeiro o exterior – 1 Sm 16.7). Por isso mesmo, nestes dias em que casamentos não são mais arranjados pelos pais, penso que Deus dá todo direito às moças que querem encontrar um marido cristão a se completarem e aperfeiçoarem com os adornos e cosméticos que lhes competem, com bom senso e modéstia, não no sentido de enganar, iludir ou ludibriá-lo, mas para que ele possa dar suficiente atenção a elas para perceber as suas outras qualidades mais duradouras e mais valiosas.
55 Edith Schaeffer, Hidden Art (Wheaton, Ill.: Tyndale House Publishers, 1977), 182-186. Edith Schaeffer foi esposa e colaboradora do já falecido filosofo e teólogo Francis Schaeffer. Depois de descrever, com detalhes minuciosos e lindos, seu prazer na grande beleza e variedade de cores, texturas e formas das flores que conhece, ela declara que é importante que o cristão viva estética, artística e criativamente, representando nas suas roupas aquele que desenhou, criou e vestiu as flores. Questiona se o Criador, que declara que seus filhos são ainda mais importantes do que essas belas flores, os obriga a esperar e procurar apenas roupas monótonas, sombrias ou feias das mãos dele.
56 Os judeus recém-convertidos devem ter sofrido muito com o preconceito e a oposição dos seus familiares e amigos nas comunidades em que viviam. Basta examinar com cuidado os relatos da primeira passagem de Paulo pelas cidades da Ásia Menor. Foi expulso de Antioquia da Pisídia (At 13.50) e apedrejado tanto em Icônio quanto em Listra (At 14.5, 19) por causa da oposição dos líderes judaicos.
57 Trabalho dos “asiarcas” citados no mesmo capítulo (19.31). A sua função principal era cuidar da adoração ao imperador e a Roma na província da Ásia (Zondervan Pictorial Encyclopedia, V. 1, “Asiarchs,” 365).
58 Apesar de ser evidente que Paulo está falando especialmente sobre as mulheres nos cultos, nota-se que aquilo que é contrastado ao adorno externo são as boas obras (1 Tm 2.10), que seriam praticadas mais fora do que dentro da igreja per se. Assim sendo, as orientações são mais amplas, ao nosso ver.
59 Hendriksen, I-II Timothy and Titus, 105-106 diz que “modéstia indica um senso de vergonha, um recusar-se a ultrapassar os limites da propriedade, uma reserva apropriada. Bom senso literalmente significa sanidade mental … vestir-se com sensatez”. Ele argumenta contra a tradução com decência e sugere que a mais correta seria em trajes de adorno (não por discordar que a decência também seja requerida por Deus das mulheres cristãs, mas porque acredita que Paulo estava alertando contra o exagero e não contra o adorno em si).
60 “Mantemos amantes para o nosso prazer, concubinas para o concubinato diário, mas esposas nós temos para produzir filhos legitimamente e para ter uma guardiã de confiança da nossa propriedade doméstica.” O orador Demóstenes em Contra Neaera em Athenaeus of Naucratis, The Deipnosophists, Book XIII: Concerning Women (Loeb Classical Library, 1937). Internet: http://user42.blue.aol.com/heliogabby/deipnon/deipnon.htm.
61 Não é disso, certamente, que a maioria dos homens se lembra quando pensa em Abraão, mas é o que vem primeiro à mente de muitas mulheres quando pensam no relacionamento de Sara com ele. Junta-se a isso o fato de o amor de Abraão por Sara não ter feito com que ele se recusasse a dormir com Hagar (Gn 16.1-4) e temos um prato cheio para qualquer estudo feminino contemporâneo sobre esse casal patriarcal. Penso que esses acontecimentos e o registro da intervenção divina livrando e abençoando a Sara após todos os três vinham (e vêm) à mente das mulheres (até de homens crentes) que liam (e lêem) as palavras para esposas de maridos que não obedecem à palavra. Em contrapartida, ninguém duvida de que Sara se enfeitasse (nota 51) e assim o seu exemplo seria apenas no segundo tipo de adorno – o adorno superior – o homem interior do coração.
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