Seol e Hades

 Seol e Hades

O termo hebraico she’óhl foi traduzida pela palavra grega haídes, usualmente trasnsliterada para o português por Hades. Que ambas possuem o mesmo significado pode ser constatado ao se comparar a primeira tradução efectuada do texto das Escrituras Hebraicas para o grego na Septuaginta, ou versão dos LXX, produzida no Século III AEC. Esta tradução emprega a palavra haídes 60 vezes para verter a palavra hebraica she’óhl. Em Atos 2:27 surge outra evidência disto visto que o escritor usa a palavra grega haídes ao traduzir a citação que o apóstolo Pedro fez do Salmo 16:10, onde surge a palavra hebraica she’óhl. De modo inverso, várias modernas traduções hebraicas das Escrituras Gregas Cristãs usam a palavra “Seol” para traduzir Hades em Revelação ou Apocalipse 20:13, 14, e a tradução siríaca usa a palavra aparentada “Shiul”.
[ editar] Como algumas traduções bíblicas vertem a palavra Seol

Na versão Almeida, revista e corrigida, a palavra she’óhl é traduzida 28 vezes por “inferno”, 27 vezes por “sepultura”, 5 vezes por “sepulcro”, 2 vezes é deixada “Seol” e uma vez cada é vertida “terra”, “mundo invisível” e “enterrado”. A versão católica de Matos Soares verte a palavra 34 vezes por “inferno(s)”, 11 vezes por “habitação dos mortos”, 11 vezes por “sepulcro”, 4 vezes por “sepultura”, 2 vezes por “cheol” e uma vez cada por “abismo”, “morte” e “perigos exiciais”. Versões mais recentes transliteram a palavra como “Xeol” ( Bíblia de Jerusalém), “Cheol” ( Bíblia Mensagem de Deus) ou “Seol” ( Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas).
[ editar] Significado do termo Seol na Bíblia

Uma análise imparcial e abrangente de todas as ocorrências da palavra “Seol” ou “Hades”, incluindo o contexto em que surgem, revela que estão sempre associadas com a morte e os mortos, não com a vida e os vivos. Essas palavras, intrinsecamente, não contêm nenhuma idéia ou sugestão de prazer ou de dor. Em todos os lugares em que Seol ocorre na Bíblia este nunca é associado com vida, atividade ou tormento. Antes, frequentemente é relacionado com a morte e inatividade. A palavra latina correspondente a Seol ou Hades é inférnus (às vezes ínferus). Esta palavra significa “o que jaz por baixo; a região inferior”, e se aplica bem ao domínio da sepultura. Ela é assim uma apta aproximação dos termos grego e hebraico, não no significado que a palavra portuguesa inferno veio a ter no imaginário popular, como um lugar de tormento ardente, mas sim como a condição dos que estão mortos.

“Seol” ou “Hades” ou “Inferno” refere-se, portanto, a algo muito mais abrangente do que um túmulo individual ou até mesmo uma grande sepultura coletiva. Por exemplo, Isaías 5:14 diz que o Seol “escancarou a sua boca além de medida”. Embora o Seol já tenha engolido, por assim dizer, um incontável número de mortos, parece que sempre anseia mais, conforme Provérbios 30:15, 16. Ao contrário de qualquer cova ou túmulo, que pode receber apenas um número limitado de mortos, “o Seol não se farta”, conforme Provérbios 27:20. Este contexto dá a entender que o Seol nunca fica cheio ou que não tem limites. Portanto, Seol ou Hades não é um lugar literal num local específico. Depreende-se que é a sepultura comum ou geral da humanidade, o lugar figurativo onde se encontra a maioria dos humanos falecidos.

A respeito do Seol, a Encyclopædia Britannica (Enciclopédia Britânica; 1971, Vol. 11, p. 276) observou:

“O Seol estava localizado em alguma parte ‘debaixo’ da terra. A condição dos mortos não era de dor nem de prazer. Nem a recompensa para os justos nem o castigo para os iníquos estavam relacionados com o Seol. Tanto os bons como os maus, tiranos e santos, reis e órfãos, israelitas e gentios — todos dormiam juntos sem estarem cônscios uns dos outros.”

A Bíblia apresenta também a possibilidade de regressar do “Seol”, “Hades” ou “Inferno” conforme Jó 14:13, Atos 2:31 e Revelação ou Apocalipse 20:13. Mostra também que aqueles que estão no Seol, ou Hades, incluem não só os que serviram a Deus, mas também os que não O serviram. (Gênesis 37:35; Salmo 55:15) Portanto, a Bíblia ensina que haverá “uma ressurreição tanto de justos como de injustos”, confome expresso em Atos 24:15.
Confusão sobre o significado do termo Seol

A utilização da palavra “inferno”, que com o tempo ficou associada à ideia de tormento ardente, ou a falta de coerência na tradução desta palavra hebraica resultou em alguma confusão na mente dos leitores. Alguns eruditos mencionaram essa confusão nas seguintes declarações:

“Muita confusão e compreensão errada foram causadas pelo facto dos primitivos tradutores da Bíblia terem traduzido persistentemente o termo hebraico Seol e os termos gregos Hades e Geena pela palavra inferno. A simples transliteração destas palavras por parte dos tradutores das edições revisadas da Bíblia não bastou para eliminar apreciavelmente esta confusão e equívoco.” — The Encyclopedia Americana (1942), Vol. XIV, p. 81.

Samuel Peake, em A Compendious Hebrew Lexicon (Léxico Compendioso do Hebraico), declara que o Seol é:

“O receptáculo comum ou região dos mortos; chamado assim por causa da insaciabilidade da sepultura, a qual como que sempre pede ou quer mais”. (Cambridge, 1811, p. 148)

Sobre a associação da palavra “Seol” com um inferno de fogo, lugar de tormentos para as pessoas após a sua morte física, Brynmor F. Price e Eugene A. Nida referiram:

“A palavra ocorre muitas vezes nos Salmos e no livro de Job para se referir ao lugar ao qual vão todos os mortos. É representado como lugar escuro, em que não há atividade digna de menção. Não há distinções de moral ali, de modo que “inferno” não é uma tradução apropriada caso sugira um contraste com o “céu” como morada dos justos após a morte. De certo modo, “a sepultura”, em sentido genérico, é um equivalente próximo, exceto que Seol é mais uma sepultura em massa, em que todos os mortos moram juntos.” (A Translators Handbook on the Book of Jonah, 1978, p. 37).

Este significado bíblico de Seol é também reconhecido pela Nova Enciclopédia Católica, que diz:

“Na Bíblia, designa o lugar de completa inércia ao qual se desce quando se morre, quer alguém seja justo, quer iníquo, rico ou pobre.” (Vol. 13, p. 170, em inglês).
Confusão sobre o significado do termo Hades

A utilização da palavra “inferno”, que com o tempo ficou associada à ideia de tormento ardente, ou a falta de coerência na tradução desta palavra hebraica resultou em alguma confusão na mente dos leitores. Alguns eruditos mencionaram essa confusão nas seguintes declarações:

“Muita confusão e compreensão errada foram causadas pelo facto dos primitivos tradutores da Bíblia terem traduzido persistentemente o termo hebraico Seol e os termos gregos Hades e Geena pela palavra inferno. A simples transliteração destas palavras por parte dos tradutores das edições revisadas da Bíblia não bastou para eliminar apreciavelmente esta confusão e equívoco.” (The Encyclopedia Americana, 1942, Vol. XIV, p. 81).

Sobre a associação da palavra “Hades” com um inferno de fogo, lugar de tormentos para as pessoas após a sua morte física, o glossário da Nouvelle Version da Sociedade Bíblica Francesa observa sob a expressão “habitação dos mortos”:

“Esta expressão traduz a palavra grega Hades, que corresponde à hebraica Seol. É o lugar onde os mortos se encontram entre o seu falecimento e a sua ressurreição (Lucas 16:23; Atos 2:27, 31; Revelação ou Apocalipse 20:13, 14). Certas traduções verteram esta palavra erroneamente por inferno.”
Conceito do Judaísmo

O conceito rabínico, judaico, segundo impresso em The Jewish Encyclopedia (Enciclopédia Judaica), reza como segue:

“No dia de julgamento final, haverá três classes de almas: as dos justos serão imediatamente inscritas para a vida eterna; as dos iníquos, para a Geena; mas as daqueles cujas virtudes e pecados se equilibrarem baixarão à Geena, e flutuarão para cima e para baixo até que se ergam, purificados.”
[ editar] Localização geográfica

A pessoa cujo nome teria dado origem à designação deste vale não é conhecida, assim como também se desconhece o significado do próprio nome Hinom ou Enom.

É também referido no Antigo Testamento pelas seguintes expressões:
O “vale do(s) filho(s) de Hinom” (ou Ben-Enom)
Simplesmente o “Vale”, como na expressão “Portão do Vale” (Josué 15:8; 2 Reis 23:10; Neemias 3:13)
É provável que a menção de “o vale dos cadáveres e das cinzas”, em Jeremias 31:40 (BJ) também se refira a este local.

O vale de Hinom encontrava-se ao Sudoeste e ao Sul da antiga Jerusalém. (Josué 15:8; 18:16; Jeremias 19:2, 6). O vale estende-se para o Sul desde as imediações do actual Portão de Jaffa, conhecido em árabe por Bab-el-Khalil, vira abruptamente para o Este no canto Sudoeste da cidade, e segue ao longo do lado Sul ao encontro dos vales de Tiropeom e do Cédron, num ponto perto do canto Sudeste da cidade. Numa zona um pouco acima do local onde este vale converge com os vales do Tiropeom e do Cédron, existe uma área mais larga. Provavelmente era aqui a localização de Tofete (também grafado Tofet ou Tofeth, conforme as traduções), mencionado em 2 Reis 23:10. No lado Sul do vale, perto da sua extremidade oriental, encontra-se o lugar tradicional de Acéldama ou Hacéldama, o “Campo de Sangue”, o campo do oleiro comprado com as 30 moedas de prata de Judas. (Mateus 27:3-10; Atos 1:18, 19) Mais para cima, o vale é bastante estreito e fundo, com muitas câmaras sepulcrais nos socalcos dos seus penhascos.

O vale de Hinom fazia parte da fronteira entre as tribos de Judá e de Benjamim, encontrando-se o território de Judá ao Sul, o que situava Jerusalém no território de Benjamim, conforme delineado em Josué 15:1, 8; 18:11, 16. O vale é agora conhecido como uádi er-Rababi ( Ge Ben Hinnom).
[ editar] Utilização do local

Durante o reinado de Acaz, rei de Judá, a Geena é mencionada como tendo sido usada para a prática de rituais de sacrifício humano em adoração a deuses das nações vizinhas, particularmente a Moloque (também grafado Moloc ou Moloch, conforme as traduções). Segundo mencionado em 2 Crónicas 28:1-3 era neste vale que tais práticas, que incluíam o sacrifício de crianças, eram realizadas. A Bíblia informa ali:

“Acaz subiu ao trono com vinte anos. E reinou dezesseis anos em Jerusalém. Não fez, como seu antepassado Davi, o que Javé aprova. Imitou o comportamento dos reis de Israel, fazendo estátuas para os ídolos. Queimou incenso no vale dos Filhos de Enom e chegou até a sacrificar seus filhos no fogo, conforme os costumes abomináveis das nações que Javé tinha expulsado de diante dos israelitas.” (Bíblia Pastoral)

O neto de Acaz, o Rei Manassés, promovendo este tipo de prática degradante em grande escala, também veio a fazer “os seus próprios filhos passar pelo fogo no vale do filho de Hinom” , conforme 2 Crónicas 33:1, 6, 9 ( NM). O Rei Josias, neto de Manassés, finalmente acabou com esta prática por profanar este lugar, especialmente em Tofete,tornando-o impróprio para a adoração, talvez por espalhar ali ossos ou lixo, conforme 2 Reis 23:10 que informa:

“Também profanou a Tofeth, que está no vale dos filhos de Hinom, para que ninguém fizesse passar a seu filho, ou sua filha, pelo fogo a Moloch.” (Almeida).

Comentando este versículo, o erudito judeu David Kimhi (1160?-1235?) diz o seguinte como possível explicação sobre Tofete:

“Nome do lugar em que eles faziam seus filhos passar pelo fogo para Moloque. O nome do lugar era Tofete, e diziam que era chamado assim porque eles dançavam e tocavam pandeiros [hebr.: tuppím] por ocasião da adoração, para que o pai não escutasse os gritos do filho quando o estivessem fazendo passar pelo fogo, e para que seu coração não ficasse agitado e ele o tirasse da mão deles. E esse lugar era um vale que pertencia a um homem chamado Hinom, de modo que era chamado de ‘Vale de Hinom’ e de ‘Vale do Filho de Hinom’. E Josias conspurcou aquele lugar, reduzindo-o a um lugar impuro, para nele se lançarem carcaças e toda impureza, a fim de que nunca mais subisse ao coração do homem fazer seu filho ou sua filha passar pelo fogo para Moloque.” (Biblia Rabbinica, Jerusalém, 1972).

Segundo nota de rodapé na Bíblia Sagrada, da Difusora Bíblica Franciscanos Capuchinhos, o termo Tofete pode significar “queimador”.

Com o tempo, o vale de Hinom tornou-se o depósito e incinerador do lixo de Jerusalém. Lançavam-se ali cadáveres de animais para serem consumidos pelos fogos, aos quais se acrescentava enxofre para ajudar na queima. Também se lançavam ali os cadáveres de criminosos executados, considerados imerecedores dum sepultamento decente num túmulo memorial. Quando esses cadáveres caíam no fogo, então eram consumidos por ele, mas, quando os cadáveres caíam sobre uma saliência da ravina funda, sua carne em putrefacção ficava infestada de vermes, ou gusanos, que não morriam até terem consumido as partes carnais, deixando somente os esqueletos. Nenhum animal ou criatura humana vivos eram lançados na Geena, para serem queimados vivos ou atormentados.

“Tornou-se o depósito de lixo comum da cidade, onde se lançavam os cadáveres de criminosos, e as carcaças de animais, e toda outra espécie de imundície.” — Smith’s Dictionary of the Bible (Boston, 1889, Vol. 1, p. 879.)

O Novo Comentário Bíblico, na página 779, em inglês, diz:

“Geena era a forma helenizada do nome do vale de Hinom em Jerusalém, no qual se mantinham constantemente fogos acesos para consumir o lixo da cidade. Este é um poderoso quadro da destruição final.”

“Visto que alguns israelitas sacrificavam ali seus filhos a Moloque, o vale veio a ser considerado como lugar de abominação. Num período posterior foi transformado num lugar onde se jogava o lixo, e perpetuavam-se os fogos para impedir uma pestilência.” — The New Funk & Wagnalls Encyclopedia (Nova Iorque, 1950, Vo
[ editar] Judaísmo

No judaísmo , o termo Gehinom (ou Gehena) designa a situação de purificação necessária à alma para que possa entrar no Paraíso – denominado por Gan Eden. Nesse sentido, o inferno na religião e mitologia judaica não é eterno, mas uma condição finita, após a qual a alma está purificada. Outro termo designativo do mundo dos mortos é Sheol, que apresenta essa característica de desolação, silêncio e purificação.

A palavra vem de Ceeol, que mais tarde dá origem ao termo sheol, não confundindo com “Geena” que era o nome dado a uma ravina profunda ao sul de Jerusalém, onde sacrifícios humanos eram realizados na época de doutrinas anteriores. Mais tarde, tornou-se uma espécie de lixão da cidade de Jerusalém, frequentemente em chamas devido ao material orgânico. O uso do termo Sheol indica lugar de inconsciência e inexistência, conforme o contexto de Gênesis 37:35 nos mostra e não um lugar de punição.
Inferno como arquétipo contemporâneo

A fusão entre paixão , desejo, pecado e condenação envolvida na imagem do Inferno permitiram ao imaginário contemporâneo imaginar antes lugar de prazer e de servidão ao prazer do que propriamente de sofrimento ou purificação. O fenômeno é bem observado na cultura cristã que, no seguimento dos esforços aplicados às ideias de purificação do monoteísmo, condenou as divindades mais materiais da fertilidade , das paixões e da energia sexual, o que literalmente as transformou em demônios. Assim, os arquétipos da paixão e do prazer ficaram associados ao do inferno, com a conseqüente mudança de sentido e de atração sobre a imaginação.

Outras correntes de pensamento actuais, curiosamente também com base na cultura católica-cristã, demonstram a sua opinião de inferno não como um local físico, mas antes como um estado de espírito, indo ao encontro da ideia preconizada por diversas correntes filosófico-religiosas partidárias da reencarnação.
[ editar] Mudanças No Sentido da Palavra Inferno

A respeito do uso de “inferno” para traduzir as palavras originais do hebraico Sheol e do grego Hades (Bíblia), Vine’s Expository Dictionary of Old and New Testament Words (Dicionário Expositivo de Palavras do Velho e do Novo Testamento, de Vine, 1981, Vol. 2, p. 187) diz: ” Hades (Bíblia) . . . Corresponde a ‘Sheol ‘ no A.T. Antigo Testamento. Na V.A. Versão Autorizada do A.T. Antigo Testamento e do N.T. Novo Testamento, foi vertido de modo infeliz por ‘Inferno’.”

A Collier’s Encyclopedia (Enciclopédia da Collier, 1986, Vol. 12, p. 28) diz a respeito de “Inferno”: “Primeiro representa o hebraico Seol do Antigo Testamento, e o grego Hades (Bíblia), da Septuaginta e do Novo Testamento . Visto que Seol, nos tempos do Antigo Testamento, se referia simplesmente à habitação dos mortos e não sugeria distinções morais, a palavra ‘inferno’, conforme entendida atualmente, não é uma tradução feliz.”

É, de fato, devido ao modo como a palavra “inferno”( Latim Infernus) é entendida atualmente que ela constitui uma maneira tão ‘infeliz’ de verter estas palavras bíblicas originais. O Webster’s Third New International Dictionary (Terceiro Novo Dicionário Internacional de Webster), exaustivo, diz sob “Inferno”: “de . . . helan, esconder”. A palavra “inferno” não transmitia assim, originalmente, nenhuma idéia de calor ou de tormento, mas simplesmente de um ‘lugar coberto ou oculto’.

O significado atribuído à palavra “inferno” atualmente é o representado na Divina Comédia de Dante, e no Paraíso Perdido de Milton, significado este completamente alheio à definição original da palavra. A idéia dum “inferno” de tormento ardente, porém, remonta a uma época muito anterior a Dante ou a Milton. The Encyclopedia Americana (Enciclopédia Americana, 1956, Vol. XIV, p. 81) disse: “Muita confusão e muitos mal-entendidos foram causados pelo fato de os primitivos tradutores da Bíblia terem traduzido persistentemente o hebraico Seol e o grego Hades (Bíblia) e Geena pela palavra inferno. A simples transliteração destas palavras por parte dos tradutores das edições revistas da Bíblia não bastou para eliminar apreciavelmente esta confusão e equívoco.”
DOCUMENTO 53
A REBELIÃO DE LÚCIFER

Lúcifer era um brilhante Filho Lanonandeque primário de Nebadon. Ele havia experienciado o serviço em muitos sistemas, tinha sido um alto conselheiro do seu grupo e distinguiu-se pela sua sabedoria, sagacidade e eficiência. Lúcifer era o número 37 da sua ordem e, quando foi indicado pelos Melquisedeques, ele havia sido distinguido como uma das cem personalidades mais capazes e brilhantes entre mais de setecentos mil da sua espécie. Vindo de um começo tão magnífico, ele abraçou o pecado, por intermédio do mal e do erro, e agora está numerado como um dos três Soberanos de Sistemas em Nebadon que sucumbiram ao impulso do ego e se renderam aos sofismas da liberdade pessoal espúria – a rejeição da lealdade universal, a desconsideração pelas obrigações fraternais e a cegueira para as relações cósmicas.

No universo de Nebadon, domínio de Cristo Michael, há dez mil sistemas de mundos habitados. Em toda a história dos Filhos Lanonandeques, durante todo o trabalho deles em todos esses milhares de sistemas e na sede central do universo, apenas três Soberanos de Sistemas desrespeitaram o governo do Filho Criador.
1. OS LÍDERES DA REBELIÃO

Lúcifer não era um ser ascendente; ele era um Filho criado do universo local e dele foi dito: “Eras perfeito em todos os teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que a falta de retidão fosse encontrada em ti”. Muitas vezes, ele esteve em conselho com os Altíssimos de Edêntia. E Lúcifer reinou “sobre a montanha sagrada de Deus”, a montanha administrativa de Jerusém, pois era o dirigente executivo de um grande sistema de 607 mundos habitados.

Lúcifer era um ser magnífico, uma personalidade brilhante; ele estava ao lado dos Pais Altíssimos das constelações, na linha direta da autoridade no universo. Não obstante a transgressão de Lúcifer, as inteligências subordinadas abstiveram-se de demonstrar-lhe desrespeito e desdém, antes da auto-outorga de Michael em Urântia. Mesmo o arcanjo de Michael, na época da ressurreição de Moisés, “não fez contra ele um juízo de acusação, mas simplesmente disse: ‘que o Juiz te repreenda'”. O julgamento dessas questões pertence aos Anciães dos Dias, os governantes do superuniverso.

Lúcifer agora é o Soberano caído e deposto de Satânia. A auto-admiração é sumamente desastrosa, até mesmo para as elevadas personalidades do mundo celeste. De Lúcifer foi dito: “O teu coração enalteceu-se por causa da tua beleza; tu corrompeste a tua sabedoria em vista do teu esplendor”. O vosso profeta de outrora percebeu esse triste estado, quando escreveu: “Como caíste dos céus, ó Lúcifer, filho da manhã! Como foste abatido, tu que ousaste confundir os mundos!”
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Pág. 602
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Quase nada foi ouvido sobre Lúcifer em Urântia, devido ao fato de que ele designou o seu primeiro assistente, Satã, para advogar a sua causa no vosso planeta. Satã era um membro do mesmo grupo de Lanonandeques primários, mas nunca havia funcionado como um Soberano de Sistema; e participou totalmente da insurreição de Lúcifer. O “diabo” não é nenhum outro senão Caligástia, o Príncipe Planetário deposto de Urântia e um Filho Lanonandeque da ordem secundária. Na época em que Michael esteve na carne em Urântia, Lúcifer, Satã e Caligástia aliaram-se para causar juntos o insucesso da sua missão de auto-outorga. Todavia, fracassaram visivelmente.

Abaddon era o dirigente do corpo de assistentes de Caligástia. Ele seguiu o seu chefe na rebelião e, desde então, tem atuado como chefe executivo dos rebeldes de Urântia. Belzebu foi o líder das criaturas intermediárias desleais que se aliaram às forças do traidor Caligástia.

O dragão afinal tornou-se a representação simbólica de todas essas personagens do mal. Com o triunfo de Michael, “Gabriel veio de Salvington e acorrentou o dragão (todos os líderes rebeldes) por uma idade”. Dos rebeldes seráficos de Jerusém, está escrito: “E os anjos que não mantiveram o seu estado original e que deixaram a sua própria morada, ele os prendeu nas correntes seguras da obscuridade para o grande dia do julgamento”.
2. AS CAUSAS DA REBELIÃO

Lúcifer e o seu primeiro assistente, Satã, haviam reinado em Jerusém por mais de quinhentos mil anos, quando, nos seus corações, eles começaram a alinhar-se contra o Pai Universal e o Seu Filho, então vice-regente, Michael.

Não houve qualquer condição peculiar ou especial, no sistema de Satânia, que sugerisse ou favorecesse a rebelião. Acreditamos que a idéia teve origem e forma na mente de Lúcifer, e que ele poderia ter instigado tal rebelião, não importa onde ele estivesse servindo. Lúcifer primeiro anunciou os seus planos a Satã, mas foram necessários vários meses para corromper a mente do seu parceiro capaz e brilhante. Contudo, uma vez convertido às teorias rebeldes, ele tornou-se um defensor ousado e sincero da “afirmação de si e da liberdade”.

Ninguém jamais sugeriu a Lúcifer a rebelião. A idéia da auto-afirmação, em oposição à vontade de Michael e aos planos do Pai Universal, tal como representados por Michael, teve sua origem na própria mente de Lúcifer. As relações dele com o Filho Criador tinham sido estreitas e sempre cordiais. Em nenhum momento, antes da exaltação da sua própria mente, Lúcifer exprimira abertamente insatisfação com respeito à administração do universo. Não obstante o seu silêncio, por mais de cem anos do tempo-padrão, os Uniões dos Dias em Salvington haviam informado, por refletividade, para Uversa, que nem tudo estava em paz na mente de Lúcifer. Essa informação foi também encaminhada ao Filho Criador e aos Pais da Constelação de Norlatiadeque.

Ao longo desse período, Lúcifer tornou-se cada vez mais crítico de todo o plano da administração do universo, no entanto, sempre professou lealdade sincera aos Governantes Supremos. A sua primeira deslealdade, manifestada abertamente, aconteceu por ocasião de uma visita de Gabriel a Jerusém, poucos dias antes da proclamação aberta da Declaração de Lúcifer pela Liberdade. Gabriel ficou muito impressionado, tão profundamente que teve a certeza da iminência de uma ruptura e foi a Edêntia, diretamente, para conferenciar com os Pais da Constelação sobre as medidas a serem tomadas no caso de uma rebelião declarada.
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Pág. 603
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É muito difícil apontar uma causa, ou as causas exatas, que finalmente culminou na rebelião de Lúcifer. Estamos certos quanto a uma única coisa, e esta é: quaisquer que tenham sido as causas iniciais, elas tiveram a sua origem na mente de Lúcifer. Deve ter havido um orgulho do ego, por si mesmo nutrido, a ponto de levar Lúcifer a iludir a si próprio, de um modo tal que, durante um certo tempo, realmente ele se persuadiu de que a sua idéia rebelde era, de fato, para o bem do sistema, se não do universo. Quando os seus planos haviam já sido desenvolvidos, a ponto de levá-lo à desilusão, não há dúvida de que ele tinha ido longe demais, para que o seu orgulho original, gerador da desordem, lhe permitisse parar. Em algum ponto nessa experiência, ele tornou-se insincero, e o mal evoluiu para o pecado deliberado e voluntário. A prova de que isso aconteceu está na conduta subseqüente desse brilhante executivo. A ele foi oferecida, desde longa data, a oportunidade para o arrependimento; no entanto, apenas alguns dos seus subordinados aceitaram a misericórdia proferida. Os Fiéis dos Dias de Edêntia, a pedido dos Pais da Constelação, apresentaram pessoalmente o plano de Michael para a salvação desses rebeldes flagrantes, mas a misericórdia do Filho Criador foi sempre rejeitada, e rejeitada com um desprezo e um desdém sempre maiores.
MAS O INFERNO EXISTE FOI JESUS QUEM  PREGOU.

2 Respostas

  1. E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.
    Mateus 10:28. Que lugar é este? E a alma é somente o fôlego de vida ou um ente inteligente, espiritual, que desce ao sofrimento se não aceitarmos a CRISTO como salvador?

  2. O mundo espiritual é muito mas real que qualquer coisa !!!CREIA !!

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